Esse caso da Prefeita da cidade de Clay, nos EUA, a Sra. Beverly Whaling, que renunciou após ter apoiado um comentário racista contra Michelle Obama, faz a gente pensar sobre o comportamento de quem se insere nessas estranhas ondas de intolerância.
As redes sociais estão minadas de intolerantes. De extremistas. E basta uma pequena análise do que escrevem para se constatar que, infelizmente, a grande maioria ungida pela liberdade repentina de opinar não tem qualquer profundidade no tema. Sequer uma análise mais ou menos sobre o assunto que estão dispostos a comentar. Quando o negócio envolve paixões coletivas, então, como política partidária ou religiões, a decadência de conteúdo no que se lê é ainda mais grave. Tudo é passional e composto apenas de ódio. Ou interesses próprios. Nenhuma leitura sobre história e algum olhar mais amplo sobre a realidade. Há bandos de sectários, nada além. Lastimável.
Fico pensando que as pessoas adoram ser radicais. Gostam do conflito, do confronto, da violência contra o outro. Seria um traço de nossa natureza predatória que a civilidade, ou a educação, não conseguem vencer? Talvez. Porque mesmo com todos os trabalhos de sensibilização, todas as informações sobre o absurdo das violências e discriminações, sobre a importância da liberdade, a intolerância parece ganhar corpo.
A ofensa à primeira-dama norte-americana é um ato quase inacreditável de violência. E praticado por pessoas públicas, líderes políticos. Ou seja, a intolerância está a serviço da popularidade. Bingo! Ela dá audiência na comunicação de surdina que é essa imensa e imensurável teia de informações digitais da web. Temos nossas versões por aqui. Agora, quando ela repercute na grande mídia, aí se encolhe e se envergonha, tenta se justificar, se dizer mal interpretada. Talvez com medo da justiça. Ou seja, a intolerância dá uma grande audiência muda e rasteira, mas não se assume como tal. A prefeita soube exatamente o que disse, mas agora desdiz e renuncia para "reparar o dano".
É. Também temos, por aqui, as nossas versões de envergonhados sem qualquer vergonha de sua violência. Depois do mal feito, fingem desfazer. Como se fosse possível. Aí, as vítimas já estão vilipendiadas. Mas os votos do absurdo também já estão garantidos.
