Oscar Bessi

A Lendária fica em Montenegro!

Esta decisão respeita não só toda a comunidade do Vale do Caí, como os brigadianos dos quatro cantos deste pampa. Que bom que a lógica venceu. Nem sempre é assim, sabemos bem. Por isso nós, do povo, precisamos ficar atentos. Afinal somos nós que bancamos tudo isso.

Sob forte chuva, na última terça-feira, autoridades e comunidade montenegrina abraçaram a "lendária" pela sua permanência. Foto: Prefeitura Municipal de Montenegro.
Sob forte chuva, na última terça-feira, autoridades e comunidade montenegrina abraçaram a "lendária" pela sua permanência. Foto: Prefeitura Municipal de Montenegro.

Vou quebrar uma regra destes quase dezesseis anos da coluna, que é abordar um mesmo tema por dois finais de semanas consecutivos. Justifico: poucas vezes recebi tantas mensagens como quando falei aqui, sábado passado, sobre a intenção clara do governo gaúcho em terminar com a escola da Brigada Militar em Montenegro. A mais antiga e maior do estado. A decisão estava explícita no PLC (projeto de lei complementar) 497/2025, enviado pelo governador à Assembleia Legislativa – cuja indignação com o texto havia gerado uma mobilização sem precedentes no Vale do Caí, reunindo vereadores, a AMVARC – com todos os prefeitos do vale -, OAB, Associação Comercial e Industrial, Sindilojas, entre outras lideranças comunitárias. Deputados estaduais abraçaram a causa. Porque não se encontrava uma explicação. Enchente? Mas quantas escolas, órgãos públicos e empresas, em países desenvolvidos, são atingidos por cheias, tsunamis, furacões e terremotos e têm estratégias e planejamento de defesa e recuperação para prosseguir após a tragédia inevitável? Nada para. E nem se compara com aqui. Sem contar o problema social de remover todos os servidores e suas famílias do seu local de trabalho sem uma explicação coerente.

Pois na quarta-feira, por iniciativa do Deputado Estadual Guilherme Pasin, aconteceu na Casa Civil uma reunião entre o governo e lideranças montenegrinas junto com o Comandante-geral da BM, Coronel Claudio Feoli. Que, do alto da humildade e transparência que sempre o caracterizaram, admitiu um erro na redação do texto legal. Que foi concebido pela Brigada, não pelo governo. E deixou claro que a Escola da BM em Montenegro não será fechada, ao contrário, será ampliada. Esta é a ideia do comando da BM e do governo do estado. E que qualquer um que falar o contrário está em desacordo com o que pensa o governador. Conversamos, eu e o Comandante Feoli, mais de uma vez sobre o tema. E eu acredito piamente não só na sua palavra, de brigadiano de fibra e militante da segurança pública apaixonado, mas na sua decepção por um erro textual ter causado tantos problemas. Ele deu sua palavra, e a palavra do governo, que isto será modificado para que entre em votação na próxima terça-feira, 16, e seja aprovado sem este golpe na história da BM. Porque a infinidade de brigadianos que me mandaram mensagens após a coluna reafirma: a Lendária pode até passar, por um dia ou dois em alguns anos (não todos) pelo perrengue da enchente. Mas quem se forma lá, não admite seu fechamento.

O deputado Miguel Rossetto também abraçou a causa e foi lá em Montenegro visitar a Escola da BM. E saiu impressionado com a qualidade das instalações, a área bem conservada e a excelência do complexo. Acidentes naturais? Acontecem. A formatura dos futuros novos tenentes da BM, por exemplo, na última quinta, teve seu local alterado na última hora por conta de alagamentos no auditório da novíssima ESFAS POA, no Lami. Dinheiro público precisa ser respeitado e é neste ponto que louvo a humildade e a seriedade do Coronel Feoli ao dar suas garantias sobre a permanência e pujança da EsFES Montenegro. E também a boa vontade do governador Eduardo Leite que deixou claro que esta escola só se mexe para ampliar. Além, claro, da disposição e interesse dos deputados. Esta decisão respeita não só toda a comunidade do Vale do Caí, como os brigadianos dos quatro cantos deste pampa. Que bom que a lógica venceu. Nem sempre é assim, sabemos bem. Por isso nós, do povo, precisamos ficar atentos. Afinal somos nós que bancamos tudo isso.

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