Chega a ser emocionante quando vemos o homem, esta criatura racional que habita um planeta por ele próprio judiado, investir seus recursos, tempo e neurônios em esforços pela vida. Esses homens tão acostumados a inventar e investir nas suas guerras lucrativas. Ou também nos surpreende se nossos tributos, suaditos barbaridade, acostumados a se perderem entre desvios e egocentrices - para sustento e farra dos chupins de currículo, que se aboletam nas desnecessidades de seus cargos inventados - são, ainda que não na via da regra, investidos em sujeitos que fazem do serviço público um sacerdócio. O que deveria ser normal quase nos espanta pela falta de cacoete. Aprendemos a nos decepcionar como os pássaros a voar. Então, é de comemorar que tenhamos mais aeronaves para salvar vidas, ainda mais numa metrópole que flerta com o caos em seus sistema de trânsito nos horários de pico - e não dá para programar um resgate para os dias e intervalos de calmaria. Assim, que venham aeronaves e pilotos. Que venham vontades que jamais desistam de ninguém.O Batalhão de Aviação da Brigada Militar tem uma trajetória de participações determinantes em salvamentos e operações policiais. Lembro do caso de um bebê que era trazido de Livramento por uma ambulância do SAMU e seu estado agravou de tal forma que ele não resistiria apenas com os equipamentos da ambulância. Era um meio de tarde de domingo e qualquer minuto poderia ser fatal: era um bebê prematuro, com pneumonia profunda. O helicóptero da BM foi acionado e uma operação montada com sucesso. Ele foi trazido para a UTI neonatal do Hospital de Alvorada. Eu lembro deste caso porque o grande herói do episódio, ao lado da equipe do SAMU, foi o Major Danúbio Lisboa. Um sujeito admirável em tudo o que faz. Vez em quando nos encontramos nalgum cerco de assalto a banco por aí.
São tantas histórias além desta que mil livros não seriam suficientes para contar. Os ases indomáveis de verdade, da vida real, estão aí. E aqui. Talvez nem o Coronel Massot, quando pensou nesta unidade e fez a proposta (de início recusada, regulamentada apenas oito anos depois) a Borges de Medeiros, em 1915, tenha imaginado a importância que a unidade teria no futuro. No nosso hoje permeado de ingerências e descasos. As vias terrestres estão saturadas, além de serem péssimas. Uma vida não pode depender exclusivamente de ambulâncias. Fora que ainda fica difícil de aceitar que tantas cidades não tenham aporte hospitalar para salvar as vidas dos seus cicdadãos, e ambulâncioterapia ainda ocorra de forma tão intensa para a capital gaúcha. No descaso de uns, o heroísmo de outros alivia o nosso mundo.
