Oscar Bessi

Assalto cinematográfico em Porto Alegre

Cena noturna. Bairro nobre da capital gaúcha, vitrine da sofisticação urbana. Um escritório de advocacia vira palco de um ataque inusitado, mas incisivo. Nada de explosões ou perseguições. Só gente, portas, interfone. E decisões tomadas em segundos. A ação começa por volta das 20h, quando dois homens transformam a entrada de um prédio elegante no primeiro ato de um crime calculado.

Porto Alegre adormeceu sob um improvável roteiro de cinema, desses filme de ação onde o caos eclode onde menos se espera. Onde a vida corre normal.

Cena noturna. Bairro nobre da capital gaúcha, vitrine da sofisticação urbana. Um escritório de advocacia vira palco de um ataque inusitado, mas incisivo. Nada de explosões ou perseguições. Só gente, portas, interfone. E decisões tomadas em segundos. A ação começa por volta das 20h, quando dois homens transformam a entrada de um prédio elegante no primeiro ato de um crime calculado.

O prédio, que funciona como galeria comercial, tinha portão, grade e rotina. Tinha também pessoas trabalhando. Pessoas sem relação com o escritório-alvo. Foram elas as primeiras peças movidas no tabuleiro. Sob ameaça, interfonaram. Chamaram o porteiro. Ele veio. E também foi rendido. Nenhuma falha tecnológica. Nenhum alarme silencioso heroico. Apenas o velho e previsível fator humano, sempre presente quando alguém aponta uma arma e exige obediência.

A investigação está com a 3ª Delegacia de Polícia da Capital, sob comando do delegado Gustavo Pereira, ainda em fase inicial. Mas é difícil imaginar improviso. Ataques assim não nascem do acaso. Exigem informação, conhecimento de rotina, horários, patrimônios. Quem entra, quem sai, quem atende. O que tem lá. O que vale a pena. O cinema real desse tipo de crime dispensa figurantes desinformados. Prefere bastidores bem estudados e personagens reais, usados como meio, não como fim.

Fica a reflexão sobre nossos modos de segurança privada. Câmeras, grades, controles de acesso. Tecnologia de ponta. Tudo isso ajuda. Mas nada é infalível quando a engrenagem passa por pessoas. A tecnologia protege, mas as pessoas decidem. E sob pressão, decidem rápido. Talvez o luxo das áreas nobres ainda alimente a ilusão de blindagem. Mas o crime, esse sim, não se ilude. Ele estuda. Ensaiа. E, às vezes, entra pela porta da frente. Com violência ou com educação. Mas sempre com uma arma na mão. E, contra uma arma, não há muito o que fazer.

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