A morte de uma jovem de apenas 21 anos durante um salto de rope jump em Limeira chocou o país. Não se trata de apenas mais uma tragédia para as tristes e absurdas estatísticas brasileiras; trata-se de um evento que exige que nos coloquemos no lugar dessa família e façamos uma reflexão profunda. Em poucos segundos, o que deveria ser uma experiência de adrenalina e diversão transformou-se em uma cena de horror.
O mais perturbador, contudo, vai além do erro fatal de não prenderem as cordas de segurança. O que assombra é a sequência de falhas humanas que permitiu o desfecho. Havia pessoas organizando o salto, pessoas assistindo, pessoas filmando. Mas ninguém percebeu o detalhe mais importante: a ausência do equipamento que separava a aventura da morte. Em uma época em que tudo precisa ser registrado em tempo real para as redes sociais, a atenção ao essencial parece ter ficado em segundo plano. A pressa de aparecer nos torna cegos ao fundamental.
A pressa de aparecer para o mundo virtual nos torna tragicamente cegos ao fundamental no mundo real.
Precisamos discutir, urgentemente, a banalização do risco. A busca por experiências cada vez mais radicais tem atraído jovens e adultos para atividades que prometem emoções intensas, muitas vezes sem a fiscalização adequada ou estruturas compatíveis com o perigo envolvido. No local da tragédia, segundo informações divulgadas, a prática ocorria em uma área onde já havia proibição devido à insegurança da estrutura. Ainda assim, a atividade continuou acontecendo normalmente — até que a fatalidade se impôs da forma mais cruel.
É a velha lógica brasileira da tolerância ao improviso: enquanto nada acontece, os riscos são solenemente ignorados e o poder público dorme em berço esplêndido. Somente após a morte da jovem surgiram anúncios de medidas rigorosas, restrição de acesso e promessas de demolição. Por que somente agora? A prevenção, que deveria ser a regra, é sistematicamente substituída por uma reação. Sempre tardia, sempre reativa.
O episódio de Limeira não é isolado. Assistimos rotineiramente a acidentes em parques de diversão com falhas de manutenção, mortes em trilhas sem controle de segurança e fatalidades em atrações turísticas onde a supervisão foi insuficiente. E, por trás de cada um desses cenários, há alguém lucrando.
A aventura tem seu valor e a busca por emoções faz parte da natureza humana. Mas absolutamente nada vale mais do que a vida. A morte precoce desta jovem é um alerta doloroso de que segurança não é mero detalhe, não é burocracia desnecessária e muito menos um obstáculo para um like. A segurança é, justamente, o que permite que a aventura termine em lembrança, e não em luto.
