Bafômetro, triagem e drogômetro
O Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) aprovou novas regras para a fiscalização da Lei Seca. A principal novidade é a inclusão de uma etapa inicial de triagem nas abordagens. O que é bom: evita injustiças e agiliza a liberação dos condutores sóbrios. Já o “drogômetro”, celebrado pelos que sonham com estradas e ruas mais tranquilas, certamente não terá atuação imediata, pois os equipamentos dependem de futura certificação pelo Inmetro e da sua compra pelos estados. E a eficácia real desta nova resolução depende de investimentos públicos maciços em treinamento de agentes, equipamentos e fiscalização. O problema é que, se levarmos em conta que há muito tempo o trânsito brasileiro mata, por ano, uma guerra do Vietnã inteira, o interesse e investimentos nesta área desanimam.
Infâncias de dor e da violência
Saí abalado após ler a matéria da Camila Mendes, aqui no CP, sobre o histórico familiar conturbado da menina de 4 anos que chegou sem vida a uma UPA, em Porto Alegre, com sinais de agressões. Toda semana, alguma notícia nos arranca outro pedaço de esperança. Mais uma criança agredida, ferida, violentada, morta antes de descobrir o que é a vida. São abusos, abandonos, mudanças de guarda e intervenções da rede de proteção. Quantos crianças vivem este horror por aí, agora, talvez bem perto de nós? Crianças não escolhem a família em que nascem, não compreendem as disputas dos adultos, não têm força para fugir e, muitas vezes, sequer sabem dar nome àquilo que lhes fazem. É triste quando a casa, que deveria ser o primeiro lugar de proteção, transforma-se na jaula do medo. Que a morte deste pequeno anjo não seja apenas mais uma notícia brutal que consumimos pela manhã e esquecemos à noite. Que nos incomode. Que nos revolte. Quando uma criança morre pela violência dos adultos, a nossa própria humanidade morre junto. De vergonha.
Espancamento e intolerância
A morte de um homem por espancamento no Rio de Janeiro, após ser confundido com um ladrão de bicicleta, precisa trazer a reflexão que nossa coluna repete há mais de 16 anos: a impunidade e a banalidade do crime estão terminando com a saúde mental do brasileiro. Quando alguém decide fazer justiça com as próprias mãos, é porque, além de não aguentar mais ser vítima, não acredita mais nas instituições públicas. O resultado é o pior possível: inocentes mortos de forma cruel, sem qualquer chance de se defender. E a civilidade dá lugar à barbárie.
Literatura policial – 3 – Rural Noir
Vem aí um livraço de contos: “Rural Noir”, que já está em pré-lançamento no site da Editora Casa de Astérion. Conversei com meu amigo bageense Rodrigo Tavares, escritor (e advogado, e músico, e ator, e...ufa!), que me contou ser uma ideia que teve junto dos talentosíssimos André Timm e Valdomiro Martins. Em 2008, Tavares lançou seu – ótimo! - livro “Noite Escura”, inspirado no Country Noir americano, e eles repararam que não havia um termo adaptado ao Brasil. O eixo narrativo de histórias repletas de violência, crime, mistério e suspense se deslocam do meio urbano das capitais para os interiores de campo, sertão ou fronteiras. O trio organizou a coletânea para fincar esta bandeira no nosso país. Um timaço de autores foi escalado. Claro que avisaremos aqui sobre o lançamento!
