Domingo passado, as torcidas de Grêmio e Internacional viviam, cada uma a seu modo e circunstância, angústias e tensões, num momento nada agradável para os dois gigantes do futebol gaúcho. Porém, no extracampo, um feito muito importante no âmbito da Segurança Pública no nosso Estado foi comemorado: chegamos ao quinto e último Gre-Nal do ano sem nenhuma cena de violência registrada entre as torcidas, seja na Arena ou no Beira-Rio.
E isto que, neste ano os dois times fizeram a final do Gauchão, algo que não acontecia há um bom tempo, e neste ano, especialmente, trazia a possibilidade de um feito emblemático: os tricolores alcançarem a marca de sete títulos consecutivos, recorde ainda pertencente aos colorados. Isto com certeza atiçou mais ainda esta rivalidade que, segundo pesquisas e estudos, é uma das maiores do mundo e considerada a maior do Brasil, só encontrando parâmetro, na América Latina, no duelo entre River Plate e Boca Juniors.
Conversei com o Comandante do 1º Batalhão de Choque da Brigada Militar, Tenente Coronel PM Rodrigo Betat Machado. Afinal, a atuação do Choque é sempre determinante nesses grandes eventos e o registro de um ano inteiro de clássicos sem qualquer incidente merece destaque. Afinal, confrontos violentos entre torcedores têm sido registrados em diversos lugares do Brasil e do mundo – vide as mortes e a confusão generalizada em Santiago do Chile, em abril deste ano, no jogo entre Colo-Colo e Fortaleza. Pois Porto Alegre, na contramão dessa realidade, vive um ambiente de relativa paz e tranquilidade no interior dos nossos dois maiores estádios.
Há estados do Brasil, com polícias militares de efetivo até bem maior que o da Brigada Militar, em que os clássicos estão acontecendo com torcida única desde a década passada, por questões de ordem pública. Aqui, não. Os torcedores podem assistir jogos na casa do adversário sem problemas. E isto, me revelou o coronel Betat, tem sido fruto de uma estratégia adotada pelo Batalhão de Choque que se resume em quatro palavras: Diálogo, Inteligência, Antecipação e Intervenção. “Temos usado cada vez menos a força, e quando usamos, resolvemos a maioria dos casos nos primeiros níveis de escalonamento: verbalização e presença policial”, revela o comandante.
E não é apenas nos Gre-Nais: a estatística também é positiva nos demais jogos na Arena e no Beira-Rio. Em 2025, nenhuma briga entre torcidas, como ocorria com alguma frequência no passado, foi registrada. “Este resultado extraordinário é fruto de um trabalho realizado a muitas mãos: Clubes, Federações, Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil, EPTC, Torcidas Organizadas, bem como dos demais efetivos da Brigada Militar que trabalham na parte externa das praças desportivas”, finaliza Betat.
Porém, quem conhece estes eventos por dentro sabe que, até nisto, há o mérito do Batalhão de Choque estar sempre disposto ao diálogo e a estimular a interação entre todos esses entes. Enfim, o que precisamos comemorar é que, neste contexto atual de tantas vitórias das forças de segurança do RS na redução de indicadores de violência, temos mais esta marca histórica: a paz nos estádios, vivenciada de forma concreta, real. Num contexto onde imagens de conflitos entre policiais e torcedores sempre renderam debates, hoje precisamos destacar é esta magnífica vitória do Batalhão de Choque da Brigada Militar e da segurança pública como um todo.
