Há cerca de três semanas, um médico residente foi preso em Passo Fundo, por armazenar e compartilhar pornografia infantil. A ação da Policia Federal aconteceu em pleno dia dos namorados. A PF foi alertada pela polícia de Ontario, no Canadá, que detectou o compartilhamento de material ilegal. A operação, chamada Moloch, combate crimes relacionados a abusos sexuais de crianças e adolescentes pela internet. Moloch, ou o deus devorador de crianças, é o nome atribuído a uma divindade à qual se faziam rituais de sacrifício de recém-nascidos, principalmente em rituais de fertilidade. O assustador, neste caso, é que o médico realizava residência médica em pediatria, em um hospital da cidade. Imaginem o pavor dos pais quando souberam da notícia.
Esta semana, mais um caso envolvendo médico e pornografia infantil. Um profissional, cuja especialidade médica não foi divulgada – mas, a princípio e segundo fontes, não é da área pediátrica. Ele tem 48 anos de idade e foi preso em Porto Alegre. O detido armazenava dezenas de fotos e vídeos em seus dispositivos eletrônicos, como celulares e notebooks. Alguém próximo a este médico viu o tipo de material que ele armazenava. E não se calou, procurou a polícia. Um exemplo gigante de cidadania e busca pela justiça que qualquer cidadão pode exercer. O resultado foi uma investigação policial criteriosa que culminou com cumprimentos de mandados, apreensão de material e a prisão do médico – que é pai de uma criança pequena. Como são dois casos, num intervalo curto de tempo, que envolvem justo esta belíssima categoria de profissionais, que procuramos sempre que algum mal nos abala a saúde, até pode assustar. Mas vamos pensar que a esmagadora maioria dos médicos não são monstros. São médicos de verdade. Gente em quem podemos confiar e entregar nossa vida em suas mãos.
A boa nova está na matéria do Marcel Horowitz. O delegado Raul Vier, diretor da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (DECA), destacou o uso de tecnologia como fundamental para o sucesso desta investigação realizada pela Polícia Civil gaúcha. Ele frisou que agora nossos policiais contam com um núcleo de operações cibernéticas. Que baita notícia! Os pedófilos não podem escapar impunemente e nem serem poupados. São nossas crianças que estão em risco. Não há que se ter dúvida ou medo, muito menos piedade. As crianças abusadas nunca terão uma segunda chance para se livrarem dos traumas da violência pela qual passaram. E olhem o caso de Taquara, quase duas décadas com centenas de vítimas sofrendo em silêncio. Até que alguém criou coragem e falou. Denunciou. Igual ao caso de Porto Alegre. Que a tecnologia aliada à coragem de todos nós crie todas as dificuldades do mundo para que esses monstros não consigam atuar.
