Oscar Bessi

Briosa

 

96ae54ae-6c32-4fc8-aa54-6404167fd548Ontem, a Brigada Militar completou 179 anos. Quantas instituições, no país, sobreviveram tanto? A história polícia, econômica e social brasileira é acidentada, por vezes trôpega, plena de reviravoltas. Isto nos torna frágeis quando o assunto é construir e solidificar a cidadania. Nossa identidade sofre revezes. Sem contar as transformações por que passa o mundo como um todo, aceleradas na era tecnológica. Os homens evoluem e se modificam, suas culturas, seus crimes, suas formas de poder, seus valores. Neste andar da humanidade, eis a Brigada, há tantos anos, com a farda muitas vezes rasgada da peleja, mas se adaptando ao campo de batalha e de cabeça erguida.

Os integrantes da Brigada Militar, em todos os níveis, costumam chamá-la simplesmente de “Briosa”. É um jeito carinhoso de se referir à corporação que os acolhe. E lhes dá a farda para que sejam reconhecidos pela sociedade gaúcha como o seu guardião. Que lhe concede a honra de estar neste elenco restrito de cidadãos que encaram uma das mais antigas, nobres e difíceis profissões humanas: ser o que salva os outros sem temer não salvar a si próprio, que precisa lembrar aos desonestos que há leis apenas para que todos tenham o direito de conviver (os honestos nunca precisam ser lembrados disso) e ser aquele que se dedica à arte de ser patriota mesmo quando ninguém mais quer acreditar em algo. É um carinho com a corporação que, acima de tudo, lhe proporciona a dignidade do pão na mesa – mesmo que esta dignidade seja, com frequência e por alguns homens (não pela instituição), ignorada e desrespeitada. Aliás, quando quem oferece sua vida para que os outros vivam em paz é formalmente desprezado, surge a dor mais profunda da decepção. Mesmo assim, espie as notícias diárias: a motivação nunca some. Os guerreiros seguem sua missão, mesmo sabendo que também estão sob fogo “amigo”.

E haverá quem generalize, aproveite qualquer maçã podre eventual para ofender a instituição como um todo e seus integrantes. Eles não sabem que as polícias militares são implacáveis quando precisam cortar na própria carne. Os colegas desprezam o mau elemento, os procedimentos disciplinares buscam o rigor, sem corporativismo. No mais, seres humanos são múltiplos e imprevisíveis, até nos grupos mais religiosos e pacíficos do mundo há problemas. Que dirá entre estes que escolhem viver sob adrenalina, tensões, ameaças e quase nada de louros dia e noite. E se uma pesquisa com questões com interpretação duvidosa diz uma coisa, o importante é ver que qualquer um do povo, ao precisar de socorro, lembra primeiro do 190. Instintivo. Como o bebê chama pela mãe. Isto é confiança, proteção, carinho. Há 179 anos, talvez, um ou outro discurso tente reduzir esta relação. Mas aí está a Briosa. Com brio. Com brilho. E cada vez mais indispensável na luta pela paz dos gaúchos.