Segurança pública preocupa a quase totalidade da população brasileira (exceto os privilegiados, que têm segurança particular cara ou aparato público generoso a seu dispor). Assim, volta e meia surgem discursos panfletários e oportunistas. Sem compromisso com realidade ou ciência, só teatro. Parece bate-papo sobre futebol: em qualquer balcão de boteco, todos são técnicos da seleção (que anda um horror, verdade). Mas estar lá no campo e fazer é diferente. Tá, no futebol a gente aceita e vibra no debate. Folia de torcedor. Agora, num tema que afeta a sobrevivência e a tensão cotidiana do nosso povo, opinião exige muito mais responsabilidade e um mínimo de conhecimento. Porque se autoproclamar “especialista” sem nunca enfrentar criminosos no calor do front, passar frio numa madrugada insone para prevenir ameaças sobre comunidades inteiras, muito menos se debruçar em estudos científicos sobre origens e enfrentamentos ao mal, aí é forçar a barra. Não precisa colete à prova de balas para tomar milkshake e criticar a vida pela Internet. Um desrespeito enorme aos que dedicam sua vida a este trabalho difícil e indigesto, seja na gestão ou no enfrentamento de batalhas infinitas nas ruas deste país.
As câmeras corporais chegaram definitivamente ao RS, acopladas nos fardamentos de integrantes da Brigada Militar. Marco histórico! Outro passo gigante na qualificação da segurança pública. Hoje, somos um Estado com olhar de vanguarda sobre o problema que mais aflige tantos povos, e de forma mais aguda os de história e organização social desordenada, feito o Brasil. Não à toa, a realidade gaúcha tem se modificado radicalmente: investimento e modernização, policial na rua protegido e instrumentalizado. Resultado? Índices de crimes violentos em queda vertiginosa no RS. Povo esquecendo o medo. Estudantes e trabalhadores desfrutando de sua liberdade e cidadania, investidores olhando positivamente para o nosso Estado. Mérito de um trabalho policial eficaz. Sim, câmeras corporais são proteção civilizatória de duas vias com matriz educadora. Pode inibir o mau policial (afinal, onde há ser humano pode haver erro, até entre monges), mas é acima de tudo facilitador às polícias para a produção de provas e agilização de processos. A verdade dos fatos registrada para além das meras “alegações de defesa”, direito essencial da cidadania com o péssimo hábito de querer transformar agressores ferozes em anjinhos vitimados (vide o fiasco político do falso caso de racismo em Porto Alegre). Menos burocracia, qualidade para a sanção e, provavelmente, mais confissões de culpa, facilitando o trabalho judicial.
“Polícia comunitária” é uma ciência trabalhada com ênfase em todos os cursos de formação da Brigada Militar e na gestão diária de estratégias preventivas. A aproximação cidadã entre agentes da lei fardados e o povo a quem servem. Chega a ser ridículo que oportunistas venham dar “aula de medo” frente à abordagem policial. Talvez seja muito filminho de terror adolescente na cabeça e pouca realidade crua. Mas né, não se espera muito de quem, com segurança privilegiada, não vive as mazelas do povo, sequer imagina a quem se pede ajuda quando um assaltante enfia a arma na cara para levar o celular ou os seus trocados do ônibus (embora, quando organiza manifestação para gritar nas ruas que quer o fim da polícia militar, manda ofício pra quem, pedindo “segurança” para o seu manifesto? Pois então!). Hipocrisia? Capaz! E mais: demitam o Dorival Júnior, ganhei todas no pebolim do boteco ontem e já posso assumir a seleção!
