Câmeras fake
Já houve quem achasse eficaz colocar câmeras de faz-de-conta em estabelecimentos, ao lado de plaquetas com o aviso: “Sorria, você está sendo filmado”, para inibir assaltos. É como a vítima no roubo com arma de brinquedo: na dúvida, melhor pensar que é de verdade. Sistemas de monitoramento e segurança eram caríssimos e os comerciantes, asfixiados pela sobrecarga de impostos, nem sempre tinham como bancar. Hoje, há sistemas baratos na internet. Mas quem não pode se valer de câmeras fake é o poder público. Como explicar que, justo no momento do ataque a corredoras, na Redenção, as câmeras de segurança dali não funcionavam? Enfeites? Câmeras fake?
Impunidade
Claro, é compreensível que sistemas de videomonitoramento precisem de manutenção. Mas ele não pode simplesmente deixar a população desprotegida por mais de uma vez. Os ataques na manhã da última terça-feira, contra corredoras na região do espelho d’água da Redenção, repetem o que já aconteceu em 2024. A identificação do autor, ou autores, novamente está prejudicada. A impunidade agradece. O medo também.
Curiosidade
Há quanto tempo estas câmeras estão em manutenção? Quantas câmeras estão fora de serviço hoje, em Porto Alegre? Quanto tempo elas funcionam sem precisar reparos? O que causa sua pane? E por que não há um sistema de substituição à câmera que necessita conserto, para que a proteção aos cidadãos não pare? O contribuinte agradeceria por essas respostas.
Pais e filhos
Um sujeito preso por abusos praticados contra a enteada, o filho dele preso por intimidar as testemunhas. Pai e filho presos, na Fronteira Oeste, por serem o “setor de disciplina” de uma facção criminosa, com torturas e execuções filmadas e enviadas aos líderes do grupo. Pai e filho presos pela PF por um esquema de armazenamento e distribuição de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. Foram algumas das notícias aqui no CP só nesta semana. Quase dois milhões de crianças brasileiras, na última década, não têm o nome do pai na certidão de nascimento. Neste domingo é o dia dos pais. Que lembremos de refletir sobre o papel de ser pai, do exemplo de vida aos valores e conduta. Sobre importância da presença, do respeito, da condução e da proteção aos filhos.
Literatura policial - 1
Por ser escritor, ou apaixonado por literatura, e ter sido policial por exatos 35 anos e 10 dias, amigos e leitores me perguntam, volta e meia, sobre indicações de leitura no gênero policial (ou “noir”, como preferem alguns). Por isto esta nova seção sempre ao final da coluna. Hoje, estreio com a indicação da série de livros do inspetor Kurt Wallander, criada pelo escritor sueco Henning Mankell, um dos maiores expoentes do gênero Nordic Noir. As investigações e a vida pessoal conturbada do detetive se passam em Ystad, na Suécia. Que acompanhou a série vai adorar. São livros com uma narrativa muito bem construída e, acima de tudo, humana.
