Oscar Bessi

Carro de professora é incendiado

Há quatro anos, publiquei aqui no Correio do Povo uma coluna cujo título era “Professores na Linha Vermelha”. Lembrei do texto e do debate promovido pela Rádio Guaíba, à época, sobre segurança escolar ao saber do fato ocorrido na manhã desta segunda-feira em Osório/RS. O carro de uma professora do CIEP foi queimado em frente à escola, com fortes indícios de ter sido incêndio criminoso. A Polícia Civil foi rápida e já trabalha, inclusive, com um suspeito de autoria. Lembrei, também, de um caso em 1997, quando trabalhei na zona norte da capital e onde, em meio a uma invasão, a escola vivia sob terror de gangues. Tivemos que adotar ações iniciais enérgicas para resgatar para ao nosso lado, em termos de confiança e aposta, as boas almas daquela comunidade, perdidas e escondidas sob o medo e pressão dos bandidos. Os dias passam e nada muda. E toda vez que toco neste assunto, professores públicos me enviam uma enxurrada de e-mails relatando barbaridades que ocorrem no cotidiano escolar, citam a crise de autoridade (e falar em autoridade não é falar em alguém que castiga, mas em alguém que é, pelo menos, respeitado), as mãos amarradas pelo sistema e o desamparo em termos de providências e reversão deste quadro. Lastimável. A maior esperança de reversão do quadro de violências diversas (falei diversas, das mais variadas origens e formas), cada vez mais crescentes neste país, passa pela educação. E tá difícil.
Foto: Didio Menezes - DP Osório