Estou com pena da moça chamada Fabíola, aquela cujo flagrante de traição virou uma febre que tomou conta dos caminhos virtuais. Imagino que ela não consiga sair de casa. "Ela devia ter pensando nisto antes de trair", é o que me dizem homens e mulheres, que não comungam comigo um grão de piedade em relação à moça. Certo, tudo bem. Ela errou. E se tudo aquilo for mesmo verdade, e não uma encenação para dar minutos de fama - a internet apronta cada uma que, às vezes, temos que duvidar muito antes de poder acreditar -, concordo que ela, antes, não teve consideração alguma com o marido. Ou com os filhos. Pensou apenas em si, no seu prazer imediato, assumiu o risco. Não se preocupou em machucar ou magoar. Só que, antes que meu texto vire o mesmo repetir de palavras de um hit sertanejo, quero apenas dizer que ela é um ser humano. Mesmo em seu erro. E me incomoda ver um ser humano ser escrachado desta forma que ela está sendo.
A febre "Fabíola e Léo, o ricardão gordinho", criou tantas piadas e criações decorrentes que ultrapassam qualquer limite da lógica. Seu rosto percorre computadores do mundo como símbolo de perversão sexual, de traição, de tudo o que possa haver de mais bizarro. Mesmo vídeos pornográficos estão sendo atribuídos à mulher. Penso no que ela deve estar passando - e concordo, ela está errada ao trair, mas a coisa adquiriu uma proporção de exagero que não se alcança mais. Fugiu ao controle. É irracional, já, mesmo nas piadas, por mais criativas e engraçadas que sejam. Penso na família dela. Nos filhos dela. Está demais, o negócio.
Até nas pobres manicures, eu penso, pois já anda uma campanha para que maridos não permitam que suas mulheres façam as unhas fora de casa. Pô! Não é bom prejudicar a imagem de um negócio em tempos de crise.
No mais, errar é humano. Há muitas pedras sendo jogadas em Fabíola por gente que já fez igual ou pior. Enfim, creio que a moça está maldizendo milhões de vezes a hora em que topou entrar naquele motel. Ou que esqueceu de apagar as mensagens do seu whatsapp. Bom, que fique a lição: em tempos de tecnologia avançada, nem sempre o traído é o último a saber.
Mas poderíamos ser um pouco mais humanos, no final de tudo. Ou não?
