Se aprovado pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre, haverá o plebiscito sobre o cercamento da Redenção. E, aí, o resultado é previsível. Os eleitores serão aqueles mesmos cidadãos que vivem sob a cultura do medo, do receio, da violência que habitamos e que nos habita. Os que se cuidam ao abrir a porta de casa, a janela, ao entrar e sair dos seus carros, ao tomar seu ônibus. E é provável que digam sim ao cercamento, mesmo que isto não resolva o que acontece durante o dia, ou que os males das noites pudessem ser resolvidos de outras formas. E que as origens destes males continuem se multiplicando por absoluta incompetência humana (no gerenciamentos das coisas todas, nos gerenciamentos das vidas - até mesmo da sua própria). Nossas paisagens urbanas estão cada vez mais feias pelo excesso de grades, muros, arames farpados, cercas elétricas, armadilhas. Já nos escondemos tanto de nós mesmos o tempo todo. Tememos, tememos. Daqui a pouco cercaremos o Marinha. O Gasômetro. O Caminho do Gol. Colocaremos portões blindados nos acessos à Rua da Praia. Nós, nossas fugas e nossos monstros, que se alimentam desse medo que teimamos em achar normal. A cada terreno perdido para o mal, o bem reduz suas chances de triunfar.
Cercar a Redenção: mais uma derrota
Se aprovado pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre, haverá o plebiscito sobre o cercamento da Redenção. E, aí, o resultado é previsível. Os eleitores serão aqueles mesmos cidadãos que vivem sob a cultura do medo, do receio, da violência que habitamos e que nos habita. Os que se cuidam ao abrir a porta de casa, a janela, ao entrar e sair dos seus carros, ao tomar seu ônibus. E é provável que digam sim ao cercamento, mesmo que isto não resolva o que acontece durante o dia, ou que os males das noites pudessem ser resolvidos de outras formas. E que as origens destes males continuem se multiplicando por absoluta incompetência humana (no gerenciamentos das coisas todas, nos gerenciamentos das vidas - até mesmo da sua própria). Nossas paisagens urbanas estão cada vez mais feias pelo excesso de grades, muros, arames farpados, cercas elétricas, armadilhas. Já nos escondemos tanto de nós mesmos o tempo todo. Tememos, tememos. Daqui a pouco cercaremos o Marinha. O Gasômetro. O Caminho do Gol. Colocaremos portões blindados nos acessos à Rua da Praia. Nós, nossas fugas e nossos monstros, que se alimentam desse medo que teimamos em achar normal. A cada terreno perdido para o mal, o bem reduz suas chances de triunfar.
