Oscar Bessi

Com Papelito em Venâncio

Oscar Bessi e Papelito na Feira do Livro de Venâncio Aires. Foto: Josiane Bergmann.

 

Muito legal a Feira do Livro de Venâncio Aires. Programação de primeira. E um espaço amplo, protegido, central, aconchegante. Múltiplo. No sábado, 12 de setembro, a Folha do Mate promoveu um bate-papo sobre os desafios da publicação. Ali, em meio ao público, numa roda informal e cheia de charme comandada pela talentosa Letícia Wacholz, onde todos podiam parar e assistir, até participar. Reuniu um bom número de escritores, entre veteranos e estreantes, e mais uma belíssima plateia de interessados em publicar, ou apenas em conhecer o tema. De quebra, encontramos o fantástico Marcelo Caminha e a trupe do Tio Tony. Encerramos a noite num jantar de amigos-família no famoso Bifão. De quem não é preciso falar sobre, pois o nome já diz tudo. E bota bifão nisto! Em todos os sentidos.


Pegamos estrada no início da tarde. Saímos de Montenegro munidos de um mate bem cevado e livros. Ao meu lado, Mateus Araújo, escritor (Notas de um pai grávido) e músico, mais JB Cardoso, jornalista e escritor (A mulher do zagueiro e outros contos). E eu, claro, escritor e motora da trupe (só para dizer que sou duas coisas na vida também, ué). Chegamos à Capital do Chimarrão quase na hora do evento, graças às desavenças que sempre tenho com o tal de GPS. Não nos entendemos. É que não confio em vozes frias e distantes. O dia em que me apresentarem um GPS que chore, dê gargalhadas, se desespere e me xingue, ou me agradeça e sorria, talvez até fique em silêncio a pensar na poética da sua vida, aí levo fé. Prometo.


Fomos recebidos com abraços calorosos pelas moças do SESC de Venâncio Aires, Diane e Lisi, e seus simpáticos esposos, com quem passamos a dividir um vinho (estava frio) e boas gargalhadas. E pela querida Andréia Pinheiro, da Folha, uma inquieta. Reencontrei Gil Kipper, editor, escritor e ilustrador de Santa Cruz do Sul, com quem ando costurando uma bela parceria para crianças. Sempre que nos vemos parece que viramos os garotos de outrora, entre risadas e debates sobre as últimas aventuras de Tex Willer.


Mas um encontro, em especial, me marcou, na visita à Feira do Livro de Venâncio. Conheci pessoalmente o Papelito. O personagem criado pelo ator e escritor Sergio Rosa (www.papelitoleitura.com.br), nasceu justamente ali, na Feira do Livro de Venâncio Aires, em 2008, como uma peça de teatro que o ator criou para atender um pedido do SESC. Mas em 2011, após ver que os Ministérios da Educação e Cultura estavam em campanha para resgatar o interesse pelos livros, Papelito ressurgiu com força. Sergio passou a fazer esquetes em diferentes espaços da cidade para sentir a reação do publico em relação ao personagem que representa uma folha de papel. Em 2012, montou a peça teatral, cuja estréia foi na Semana do Livro, em parceria com a Biblioteca Pública de Venâncio. Hoje, Papelito percorre o país, interagindo com o público e encantando adultos e crianças de todas as idades.


Depois do CD “Papelito despertando a criança em mim”, Sérgio Rosa e o desenhista Cassiano da Rosa lançaram, na Feira do Livro de Venâncio Aires, o  primeiro livro infantil do personagem: “Papelito, um poema de criança”. A publicação conta com poemas voltados ao público infantil com temas como amizade, respeito às diferenças e a importância da leitura. O objetivo do projeto é mostrar que, mesmo com as tecnologias todas ao redor, uma boa leitura pode ser tão atraente quanto. Eis a grande sacada: Papelito não condena a tecnologia, Papelito apenas mostra que ele também está ali, e que lhe dar atenção pode fazer muito legal também.


Cheguei em casa e entreguei o livro ao meu filho João Ernesto, de dois anos e meio. Bingo! Não largou mais o Papelito. E já estou prazerosamente rouco de tanto ler seus poemas.


É um projeto que vale muito a pena. Repito sempre, aqui no blog e na edição dominical impressa, que ainda podemos seguir o exemplo colombiano de investir na leitura como base de humanização e distanciamento das violências diversas. Dá resultado. E não é chute, é pesquisa científica. Quem lê tende a ser mais gentil. Neste aspecto, Papelito é o cara. Contatos com o Sergio Rosa podem ser feitos do papelitoler@gmail.com