Oscar Bessi

Conselho Tutelar - a corajosa série da Record

A vida real pode ser trágica. Ainda mais quando lidamos com problemas relacionados às violências cometidas contra crianças e adolescentes em todos os níveis sociais. E não conheço isto apenas por ser policial há tantos anos, por ter trabalhado com todo tipo de comunidade e seres humanos. Minha esposa, Josi Paz, é Conselheira Tutelar há seis anos. E ela, assim como eu, se emocionou ao assistir o primeiro capítulo da série "Conselho Tutelar" nesta segunda-feira, na Record. Magnífica produção, roteiro perfeito! Histórias com realidade, com a dureza e a complexidade dos dramas que a vida apresenta aos conselheiros tutelares. Vale a pena assistir. E, infelizmente, no Brasil há milhares de crianças e adolescentes que são vítimas todos os dias de toda sorte de violência, do abuso sexual à agressão, da exposição às drogas e ao álcool à ausência total de afeto. O drama que estes agentes públicos enfrentam, num sistema falho e, nalgumas vezes - para piorar a situação - contaminado por pessoas de má vontade ou individualistas, criam uma sobrecarga emocional nada fácil de suportar. É interessante, inclusive, a discussão que o primeiro episódio apresenta nas suas entrelinhas: Sereno, o conselheiro dedicado com paixão aos seus casos, por conta do seu trabalho não consegue dar atenção de qualidade ao seu próprio filho. Isto remete, inclusive, a um questionamento sobre as estruturas dos Conselhos Tutelares no país, ainda maltratados e renegados a um papel secundário, mesmo com sua missão essencial. O conselheiro tutelar ainda é um ser humano que, como policiais e professores, lida com o resultado dos desgovernos e, mesmo tendo a missão de consertar erros gerenciais e sistêmicos, acaba desprezado pela coisa pública como um todo. Parabéns a Record! Isto sim, é série de verdade, é vida real, é Brasil!
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