Não são muitos os governos que dão exemplo de firmeza e determinação quando o assunto são organizações criminosas. Até porque, volta e meia, há alianças obscuras, acordos questionáveis e, até mesmo, financiamentos ilícitos de campanhas, tudo com carimbos oficiais a endossarem um perigoso passaporte para a corrupção, o descontrole e a violência fazerem turismo em nossas vidas. Claro, discursos, todos têm. Em campanhas ou quando precisam explicar o inexplicável. Agora, atos e fatos, muito poucos. Metodologia? Resultados? Menos ainda. E enfrentar o crime não exige apenas coragem, mas método.
Porém, na contramão da descrença, o Rio Grande do Sul vem experimentando o que se pode chamar, sem sombra de dúvida, de novos tempos. Logo após viver o outubro mais seguro de sua história, com a redução significativa de índices dos principais crimes que atormentam foi anunciado que o protocolo contra homicídios entrou em vigor no RS. E com foco em isolar lideranças e descapitalizar facções. A notícia, veiculada aqui no nosso Correio do Povo, empolgou não só os estudiosos do tema e os profissionais da segurança pública, como todos aqueles que sonham com dias melhores para os seus.
Na verdade, a metodologia já vinha sendo aplicada pela Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Penal há mais de ano. E dando ótimos resultados. Os policiais suam a camiseta, conseguem resultados e a população agradece. Pois diminuir índices de violência é diminuir o medo. E diminuir o medo é aumentar a confiança, a esperança, a fé no futuro e a vontade de seguir em frente. Acionado a cada homicídio ocorrido – e cerca de 80% destes crimes estão relacionados a facções criminosas -, agora o protocolo recebe reforço de peso: serão inauguradas a 3ª Vara de Execuções Penais e um novo módulo na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). É ótimo quando o Poder Judiciário se alia às forças do povo nesta guerra. Mais sentenças, mais cadeia, menos impunidade.
Diuturnamente nas ruas, sem intervalo, a Brigada Militar atua no front desta estratégia. E o Comandante-geral da Brigada Militar, Coronel Claudio Feoli, demonstrou seu entusiasmo com o método e os resultados em conversa com este colunista, esta semana. Neste panorama de dissuasão focada, a presença sobreposta em locais de atuação de grupos criminosos (estratégia da saturação de área), bem como a atuação das tropas especializadas da BM nestes locais, frisou o Comandante. Além disso, atuação conjunta da inteligência da BM com a Polícia Civil. Ação conjunta e massiva, deixando as facções descapitalizadas e inibindo suas atuações, além de retomar territórios para a cidadania, encontrar os responsáveis pelos crimes letais e puni-los. Não tem como dar errado. Ganha a cidadania, a liberdade. E quem trabalha neste meio sabe muito bem, tanto quanto quem já foi vítima de crimes, como a liberdade desaparece quando a tirania de criminosos toma conta de uma comunidade, sob sangue e medo. É, tá ficando cada vez mais difícil a vida pra bandido aqui no RS.
