A Polícia Civil gaúcha merece todos os nossos aplausos. Estamos chocados, estarrecidos enquanto sociedade (enquanto humanidade, até), com tudo o que foi revelado na coletiva de imprensa desta sexta-feira, 05/09. Mas desvendar o mistério do “crime da mala”, aquela encontrada com pedaços de um corpo de mulher na rodoviária de Porto Alegre, mostrou não apenas a agilidade e eficiência da nossa PC. Revelou, mais uma vez, o nível de entrega dos seus profissionais.
O alto padrão das ações de Segurança Pública aqui no Rio Grande do Sul, através de suas instituições – e, acima de tudo, das pessoas que tornam estas instituições, com o seu trabalho árduo e diário, referências positivas internacionais. Porque a notícia repercutiu mundo afora.
O assassinato teria ocorrido em 09 de agosto. Os membros superiores de uma mulher foram encontrados em sacos de lixo no bairro Santo Antônio, na capital, quatro dias depois. Dia 20 de agosto, quase duas semanas após o crime, o criminoso deixou uma mala no setor de guarda-volumes na rodoviária de Porto Alegre. Seu conteúdo macabro só foi descoberto por causa do mau cheiro, em 1º de setembro, já quase um mês após a morte.
E, apenas quatro dias depois, após mobilização investigativa, a polícia nos traz a verdade sobre este triste capítulo de terror da história gaúcha. Um roteirista de filmes de suspense talvez não criasse algo tão surpreendente.
É visível o assombro até mesmo de quem está acostumado com o lado mais brutal e sinistro dos seres humanos. O crime, em forma, detalhes, planejamento e cuidados, as pistas falsas do criminoso, as falsas denúncias que ele criou, o uso do telefone da vítima – com a qual teria um envolvimento afetivo -, se passando por ela para que não houvesse suspeita ou registro do seu desaparecimento, tudo levou a uma mente tão doentia quanto meticulosa e inteligente. Thriller real de horror em Porto Alegre.
Detalhe: o criminoso é o mesmo publicitário que já havia sido preso por outro crime bárbaro, cometido em 2015, que nos chocou: matou a própria mãe, na época com 76 anos, com 13 facadas nas costas, para pegar o dinheiro que ela teria recebido após o falecimento do marido, pai deste criminoso. Ele ainda concretou – ela, a mãe! – no próprio apartamento.
Este criminoso foi condenado em novembro de 2018. Há menos de 07 anos. Deveria cumprir 27 de reclusão, mas já estava na rua. Progressão de regime. Já?
Que país é este onde se comete um crime brutal por dinheiro, contra a própria mãe, e pouco tempo depois se está solto? As leis e os poderes públicos não deveriam existir para proteger e defender seu povo? Povo que paga horrores de impostos para bancar tudo isso? Por que ainda se libera tão fácil criminosos neste país, com tudo de horrível que se repete, exaustivamente, todo dia?
Até quando assassinos terão permissão oficial para voltar a cometer crueldades, a matar? Só outra vítima. Com pedaços do seu corpo espalhados pela cidade sem dignidade alguma. Mas, ao lado desta mão assassina, fria e cruel, há mãos que empunham canetas com desdém. Nossa vida é real, não é papel nem teoria. O respeito a este povo precisa ser também.
