A quarta-feira futebolística no Rio Grande do Sul terá jogos decisivos que encerram a primeira fase.É. Já. Por incrível que pareça. Parece que nem começou e o campeonato estadual de futebol já está terminando. Esse torneio raspadinha que, insisto, não respeita o torcedor, o amante de futebol da nossa terra, encerra a primeira fase absolutamente sem sal e nem açúcar. Com gosto de nada feito soro caseiro.
Gauchão tinha que ter o calor de um chimarrão. O sabor de um vinho. Os jeitos variados do Pampa. Ainda defendo que a primeira fase reúna todos os times, os que hoje fazem as séries A e a de Acesso, aí para chegar no final e, os melhores classificados, unirem-se aos que disputam campeonatos outros com calendário extenso (hoje temos três times na série B e um na A do Brasileirão) para uma fase final quente e bem disputada.
Não como está hoje. Meia dúzia de jogos e já temos um rebaixado. Os times que mais investiram, pensando na série B, nem tiveram tempo para se preparar direito, pois terão um intenso calendário pela frente. Um time do tamanho do Inter na penúltima rodada preocupado com rebaixamento para a divisão de acesso. E o Xavante também. Isto porque é um punhadinho de jogos, sem tempo de fomentar uma campanha de verdade, de time.
A prova maior é que o grande líder, Novo Hamburgo, está há quatro jogos sem vencer. E isto é quase metade do campeonato. Bah. Que baita campeonato!
Hoje, se define quem classifica, quem cai, quem vai, quem fica. E o que mais me incomoda é que, na hora de vender produtos e títulos de sócio, os grandes clubes apelam para o sentimento bairrista. "Ah, eu sou gaúcho!". Pois é. Mas na hora de ver seu time do coração, e do bolso, jogar, aí não pode porque ele não vem à sua cidade, mesmo tendo time lá que disputa o campeonato. Tem que ser turno único para não tirar o lucro imenso dos milhões em direitos de transmissão.
E ainda querem que o torcedor abrace junto.
Pior: o torcedor abraça sim. Mesmo sendo maltratado.
Francamente eu, que gosto demais de futebol, tenho saudades do Campeonato Gaúcho. Este, que aí está, não me representa.
