Amanhã é mais um dia das mães e eu ainda nem comprei o presente da minha. Sempre deixo para a última hora. Não que eu seja um filho ingrato. Esses, passam domingo mesmo num mercadinho do trajeto, compram a caixa de bombom mais barata que encontram e chegam na casa da mãe com a maior cara deslavada dizendo, sabe como é, ando atulhado de trabalho, não deu tempo, desculpe, mas teu presente de verdade vem depois. Nunca vem. Ela, tadinha, ainda diz “não precisava”, sorriso amarelo. Sorriso de que precisava sim, embora não seja o mais importante. E toda mãe espera algo dos seus filhos, porque assistem eles fazendo tanto por outras, ou outros, às vezes tão efêmeros em suas vidas que mal chegaram a saber quem era. Por isto fizeram pudim, torta de bolacha, convenceram o marido a assar aquele churrasco. Por isto se dedicaram a vida toda para aquele filho. Choraram e sorriram por ele. É o seu deleite, sentir.Mas não é fácil ser mãe de brasileiro. Nem de colorado, desses que deixam todo o dinheiro no bar em quarta-feira, ainda mais agora, que o time engrenou. Mas quero falar de mãe. Não do Inter. O Inter tem técnico a patrocínio, mãe não tem. Mãe carrega o filho no colo e sonha, depois se realiza ou se decepciona, mas nunca deixa de ser mãe. Técnico do Inter vai e volta e vira comentarista de outros técnicos e continua só ganhando. Já ser mãe não dá lucro. Só satisfação. Pelo menos enquanto o filho é pequeno e não tem vontade própria. Que, depois, vou te contar. É dureza. Mas ser mãe deve ser mágico, visceral, instigante. Ser pai já é um barato, imagina mãe. Ter a criança protegida dentro de si, e essa proteção ficar ali dentro para todo o sempre, mesmo depois do parto e da vida acontecer daquele seu jeito imprevisto, que leva, que traz, que faz e apronta com quem a gente ama.
O elo eterno entre mãe e filho é o colo. O calor. O peito. Se a humanidade fechasse os olhos e lembrasse só disso, da sensação de conforto, de amor, de dedicação e renúncia, da sensibilidade que nos compõe, a paz seria tão natural quanto um gol do Valdívia em jogo decisivo. O respeito e a consideração ao outro seriam automáticos. Que vou te contar, tem uns por aí que fazem cada coisa que, sei lá, devem ter mamado em peito de silicone paraguaio.
