Os ataques a bancos registrados no dia de ontem, no interior do Rio Grande do Sul, nem espantam mais. Cenários de pólvora, vítimas em prantos, rastros de violência, restos de cidadania estilhaçados sob o medo. Todo final de ano é assim. Aumentam os assaltos, porque a movimentação de capital também aumenta. É o ingresso do 13º, é a corrida às compras, é o abastecimento de cofres, caixas e estoques de jóias. O bandido de ofício vai à caça. É a época do ano que ele mais adora. A Polícia, ao mesmo tempo em que se preocupa com isto, precisa iniciar o atendimento ao litoral, e tem que fazer tudo isto com o mesmo efetivo de sempre. E nosso sistema legal e judicial dá a sua generosa contribuição para o caos: é a época em que ladrões, assassinos, traficantes e estupradores conseguem benefícios de liberdade e voltam às ruas, ainda mais articulados para fazer o que sempre fizeram - cometer crimes.As perspectivas, para quem lida com segurança pública no front de batalha contra estes criminosos, não são agradáveis. O consumismo não para pra pensar e medir consequências, afinal, é a época de ouro das vendas e o seu negócio é este. Destas vendas dependem milhares de empregos. E nossa cultura nos remete às ruas para arriscar mesmo, como sempre fizemos, e lá vamos nós sacar dinheiro, comprar, gastar, ter. O problema é o inchaço notório no número de criminosos. Eles também querem. E querem o que nós temos. Há um exército deles à espreita, pronto para atacar bancos, joalherias, lojas, comércios, aposentados saindo caixa eletrônico, cidadãos em geral ocupados apenas com seus sonhos e suas contas. Por que cresce o número de assaltantes a cada ano? São diversos fatores. Resumir é diminuir a importância do tema. Mas é claro que a impunidade (que faz valer a pena arriscar) é um elemento decisivo. Como os maus exemplos dos gestores públicos e a inversão hierárquica dos valores (onde os sentimentos humanos estão cada vez mais subordinados a todos os outros, mais importantes e relevantes do que, por exemplo, se importar com o próximo) e por aí vai. Então cuidado. Talvez não venham três reis magos. Talvez sejam bandidos chapados prontos para matar por muito pouco. E estar atento a isto, ou pronto para o pior, não é estragar o espírito natalino. É apenas lidar com a realidade.
