Pego estrada daqui a pouco. Torcendo para que nada me atrase no trajeto à capital. Porque hoje é um dia especial - e já explodiram banco na cidade onde trabalho, acho que de propósito, ou por inveja, só pra ver se desisto - e quero estar lá pelas 18h no Correio do Povo. Este gigante completa 120 anos. É preciso saúde para chegar tão longe, mas falo de uma saúde que não é apenas física: é preciso verdade, vontade, determinação e propósito.
O Correio do Povo segue fiel aos sonhos dos jovens aventureiros daquele 1º de outubro de 1895. O Correio do Povo segue a linha dos grandes nomes que recebeu, em suas páginas, ao longo da história. Não há como falar da humanidade, do nosso povo, das nossas vitórias e derrotas sem citar o Correio.
Mas eu não sei contar esta história. Quem sabe é o Juremir Machado da Silva. Hoje, às 18h, ali no Correio, ele lança seu livro “Correio do Povo, A primeira semana de um jornal centenário” (Editora Sulina). Ninguém melhor para falar de um gigante do que outro gigante. Pena o trabalho ter me tomado tanto tempo hoje, eu queria escrever - e ainda vou escrever - bem mais sobre isto.
Juremir é o grande cronista do Brasil. Não, não estou puxando seu saco. Mas Juremir fala de tudo para todos. Juremir não tem tendência ou facções que não suas verdades e ideias forjadas com clareza, na vida e no conhecimento, no que viu e no que aprendeu. Um guri da fronteira respeitado pelos filósofos franceses, pelos operários da periferia, pelos professores nas escolas. Um homem que fala de tudo, para todos, com propriedade. Do futebol à filosofia, da política isenta (e quanta diferença há em ler um cronista, realmente isento, e depois compará-lo com um mercenário qualquer de ocasião ou cifras, não acham?). Economia. Amor. Humor. Banalidades. Um homem que homenageia os sábios e os anônimos. Que nunca disse um "eu não falo disto ou daquilo". Quantos jornais têm um Juremir?
No Brasil, nenhum. Falo porque leio muitos. Na América Latina, talvez raros. Discorda do Juremir? Quer brigar com ele? À vontade. Ele sempre ficará com a leveza de um bailarino entre palavras e ideias.
Vou lá, pegar o carro. O dia foi cansativo, mas hoje a noite é imperdível. Correio do Povo, Juremir Machado. Vez em quando a gente precisa degustar os bons ventos desses casamentos perfeitos.
