Oscar Bessi

E a mãe que arremessa o bebê feito coisa?

Que me perdoem os que sabem disfarçar. Mas quem não ficou extremamente indignado com esta notícia? Ora, arremessar um bebê de quatro meses pela janela de um carro? Como assim, tchê?

Pode parar. Pode alegar violenta emoção e o escambau, pode alegar o que quiser. Mas este padrasto não pode sair da cadeia tão cedo. E a mãe? Arremessou a criança ao chão, outra vez, para socorrer o agressor do seu filho, quando a população queria linchá-lo pelo que fez. O que pensar de uma criatura assim?

Quero que me respondam, os meus queridos e pacíficos leitores, aí abaixo. O que fazer com umas criaturas dessas? O que fazer com um tipo desses que é mãe por um acidente - um desastre! - da natureza? Comentem, sem pudor. Não estamos no país da liberdade de expressão?

Ainda bem que a polícia prendeu o casal na hora. Só não concordo, embora saiba que há os motivos para tal, que a identidade deles seja preservada. São monstros. São bandidos. E de gente assim temos que nos proteger.

Com identidade preservada, quem duvida que uma mulher dessas não peça emprego, um dia, em uma creche?

Você deixaria seu filho com uma mãe que jogo o próprio bebê no chão? Que defende o padrasto que arremessou seu próprio filho pela janela?

Pobre criança. Que a avó paterna (cadê o pai? gostaria de saber...) tenha um mínimo de carinho e generosidade ao criá-la. Ou, além de já ter um padrasto tão cedo, aos quatro meses de vida - e um padrasto deste nível de monstruosidade -, esta pobre criatura inocente será mais uma das milhares de crianças brasileiras criadas sob violência de diversos tipos.

Que culturas equivocadas, que ausências, que violências e educações deturpadas levaram estes dois a serem capazes de um ato tão brutal e covarde?

É, o Brasil não é um país de bandidos precoces de graça.

Duvido que alguém tenha conseguido ler esta notícia no Correio do Povo sem sentir uma indignação profunda. Uma raiva no fundo de si.

Eu não consegui, me desculpem. Sou um intolerante. Mas um intolerante à covardia.