Há quem considere o Ecstasy uma droga inofensiva. Até divertida. Talvez desconheçam, ou não se importem com, o perigo real que há por trás destes comprimidos. A notícia de hoje, publicada aqui no Portal do Correio do Povo, dá conta de um triste recorde desta droga na história do RS: 2,3 mil comprimidos apreendidos na ação exitosa e paciente da Polícia Civil gaúcha em Esteio. O que chama a atenção, na matéria, é a revelação do delegado sobre o alto preço das vendas de cada comprimido aos usuários. Entre 50 e 100 reais. E os caminhos que ela percorre até chegar ao usuário. Ou seja, não é a periferia que sustenta este negócio lucrativo. Nem os "adolescentes bandidos", alvo de todos os dedos radicais que pedem a redução da maioridade penal, liberação geral da arma e outras violências. Não. O sujeito tem que ter "cash". E parece ter um mercado tão perverso, amplo e garantido quanto o crack. O alvo preferencial? Jovens. Nas duas pontas.
Um dos perigos do ecstasy, segundo os próprios usuários, é que o primeiro comprimido costuma surtir pouco efeito. A necessidade de usar mais e mais é natural. Além disto, leva ao uso de outras drogas, como cocaína e heroína, até para suportar a dor que resulta de sua ingestão. Fora os perigos de sua composição. Em 1914, quando surgiu na Alemanha como um remédio regulador de apetite, era pura MDMA(metilenodioximetanfetamina). Que já é uma bomba. Não deu certo, foi esquecido, ressurgiu nos anos 70 (final dos anos 60) em tentativas de psicoterapia com estresses traumáticos, por gerar "prazer" - aliás, um de seus marketing nas baladas, ou como outros preferem chamar, "a droga do amor". Hoje, o ecstasy é uma mistura ainda mais tóxica e danosa, diferente da original, e a incerteza de sua composição - como de todas as outras drogas - é uma roleta russa onde o possível suicida é só o usuário. Sempre lembrando que vivemos num mundo consumista, mercantilista e desumano que tem coragem de falsificar até o leite das crianças. O que dizer de drogas. Ecstasy e álcool podem ser fatais, por exemplo. Há mortes comprovadas que nascem do seu consumo.
Há enigmas ainda não decifrados sobre os danos reais só da MDMA. E o ecstasy tem ido além das festas rave, ao contrário do que alguns podem pensar. Quando começou a incomodar os norte-americanos, era a mesma época que por lá surgia o crack, ou seja, na década de 80. Hoje, somos herdeiros desse infeliz resultado, e líderes mundias de usuários da pedra. Triste, este lado do ser humano. O que lucra destruindo a vida de outros. Ainda mais de jovens. Justo na fase mais crítica de sua vida, de descobertas, de inquietações, de encaminhamentos e construções, de sonhos. A época da formação do ser humano. E a quantidade assusta porque se sabe que é uma pequeníssima parte do todo, de todos os dias, de todos os lugres. Um massacre. Uma covardia imperdoável.
