Há momentos em que tudo parece pesado demais. Desnecessário. Inútil. Chato. São momentos em que não queremos conversar, não queremos ouvir conselhos, se desse não iríamos trabalhar, não compareceríamos naquela reunião, fugiríamos dos compromissos. E sem desculpas furadas, mandando tudo às favas mesmo. Porque há horas em que a vida cansa. Agride. É como se estivéssemos num ringue e o adversário não parasse de nos aplicar golpes, um atrás do outro, então nem sabemos mais o sentido de continuar em pé, quando a vontade é se jogar na lona e gritar, deu!, chega!, não quero mais!E o que mais gostamos de fazer perde a graça. A alegria.
E queremos nos esconder como se, ali ao lado, houvesse um monstro feroz, capaz de nos dilacerar. Não. De nos fazer chorar. E dá um medo doído de chorar como jamais tivemos.
Não, isto não é fraqueza. É ser humano.
Alguém te falará das conquistas, do que é belo e te cerca, mas não adianta. E qualquer olhar ou palavra perdida tem a força de um soco. Caímos.
A depressão chega assim, de repente. Um mal que aflige milhões de pessoas no mundo. Mais do que a gente pode imaginar. Gente que está ao nosso lado. E, como nós, tenta fingir que nada está acontecendo.
Chegará um ponto em que será impossível fingir.
Há que se procurar ajuda. Sem medo ou vergonha. Há que se pensar que a vida é assim, efêmera, e talvez estejamos apenas desperdiçando energia com fatos, coisas, casos e gentes que não merecem. Estamos olhando para o lado errado. E não estamos nos vendo.
Muito menos quem nos ama. Quem nos tem.
E se der, de repente, aquela vontade de largar tudo? Largue. Nem que seja só por alguns instantes. E se resgate antes que seja tarde demais.
