Oscar Bessi

Estupro coletivo no Rio e o fiasco da educação brasileira

Um país que permite a dor de meio milhão de vítimas de violência sexual todo ano, sendo a maior parte crianças adolescentes, quer o quê do seu futuro?

Um país que torna seu patrimônio cultural um estilo de música e bailes onde as mulheres são tratadas como objeto sexual descartável, onde as festas são de sexo sem proteção e sem ao menos perguntar o nome de quem está ali, onde a exposição da "carne" no palco é plena de humilhação, inclusive com o famoso "rodízio na tábua" - que não passa de um estupro coletivo com "consentimento" (isso existe, quando não se tem ao menos alcance das consequências do que está fazendo?) da vítima -, quer falar em igualdade?

Um país que imprime milhares de folders, material publicitário, tem uma infinidade de políticos discursando sobre o tema pra ganhar votos, promove milhares de encontros que gastam verbas astronômicas para acontecerem, mas que nunca saem da ladainha e no nhenhenhém, quer o quê para as suas meninas, para as suas mulheres? Esses são os primeiras a usá-las como objeto. Não estão se importando, estão apenas se promovendo em cima da sua dor.

E a educação, onde anda mesmo?

E a família?

A adolescente vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro foi só mais uma vítima desse quadro torpe. E a grande maioria dos escandalizados a esbravejar na imprensa é co-autor. Essa barbárie, essa selvageria inaceitável é mais comum do que se pensa. E é aplaudida, incentivada, instigada. Basta olhar ao redor com um mínimo de atenção.

Na coluna deste final de semana na edição impressa, mais sobre o assunto.