Uma operação histórica da Polícia Federal abalou a paradisíaca Itanhaém. A cidade no Litoral Sul de São Paulo atrai turistas por, além de suas belas praias, ser a segunda cidade mais antiga do país, fundada em 1532 por Martim Afonso de Souza, o comandante da primeira expedição “colonizadora” enviada ao Brasil. Incrível a ironia do destino. O que começa mal, dificilmente toma outro rumo. E com todo o respeito ao povo itanhaense, trabalhador e persistente como a maioria dos brasileiros, todos sabemos os verdadeiros, e nada nobres, objetivos portugueses naquele longínquo século XVI. Meio milênio depois, nosso país e nosso povo seguem alvos de pilhagens externas e internas. Somos terra onde tudo que se planta dá, inclusive todo tipo de crime. Pois estava em Itanhaém um gigantesco laboratório para fabricação de notas falsas. Os policiais estimam que mais de R$ 30 milhões já foram produzidos pelos falsificadores, sendo R$ 10 milhões apreendidos. O lugar era responsável pela metade das falsificações de dinheiro a circular no país.
Foi necessário um ano e meio de investigação aprofundada da Federal, a partir de apreensões ocorridas em todo o território nacional e que tinham o laboratório de Itanhaém como fornecedor. Só no RS, nos últimos meses, foram feitas apreensões significativas de dinheiro falso em Porto Alegre, São Leopoldo, Santa Maria, Erechim, Três Passos e por aí vai. No interior paulista, a fabricação das notas fake funcionava sob proteção do PCC. Sem querer valorizar passe de criminoso, mas olhando sob a sombra da lógica nua e crua, há que se ficar ainda mais atento em relação a este tipo de crime. Se há uma produção tão intensa e com tamanha ramificação no país, com dedo justo desta facção criminosa, esta talvez seja só a ponta do iceberg de mais um grande negócio tenebroso. E, como nos demais, a violência intrínseca vai destruir a vida de inocentes. Seja em golpes sofridos com dinheiro falso, seja algo ainda pior. Que facção criminosa não entra num negócio desses para jogar amarelinha. Nem fazer caridade.
A dica, agora, é abrir o olho. Todos nós. Até mesmo ao sacar em caixas eletrônicos, que a ousadia dos bandidos vai longe e alcança lugares e pessoas que não deveria nem chegar perto. Mas consegue. E até com alguma facilidade, infelizmente. Não tenha pressa quando for pegar dinheiro vivo, observe bem sua textura, numeração, marcas d’água contra a luz. Procure conhecer as características de cada nota. E se houver quem lhe entregue as cédulas, que este não fique ofendido. É só precaução. Todos juntos, nos defendendo, formamos uma barreira de dificuldade ao crime e evitamos mais vítimas. Mantenha uma nota verdadeira consigo, se for comerciante, para comparar em caso de dúvida, ou compre uma daquelas canetas detectoras de cédula falsa. E baixe o aplicativo do Banco Central chamado “Dinheiro Brasileiro”, que ajuda a conhecer como são em detalhes as notas verdadeiras em circulação. Na dúvida, ou no aperto, peça ajuda a um policial, que vai te orientar. Já somos vítimas de golpes demais. Se dinheiro falso do crime financia fortunas ilegais, do lado de cá nosso dinheiro é raro. Suado. E nosso pequeno paraíso de cada dia precisa ser protegido de tantos golpistas.
