O túnel da Conceição, em Porto Alegre, foi alvo da 14ª ocorrência de furto de fios e cabos de energia só em fevereiro. Vamos repetir: 14 crimes em 18 dias. Chega a ser ridículo!
Este tipo de crime atormenta não apenas as companhias fornecedoras de energia das cidades. Afeta a saúde (uma cirurgia urgente pode deixar de ser realizada por conta da falta de energia), segurança, segurança alimentar, a rotina das escolas, a segurança das vias e seus semáforos essenciais e muito mais. Ou seja, a vida dos cidadãos como um todo. Não é um crime violento, mas sim, pode causar até mesmo mortes indiretas por sua existência.
A Lei nº 15.181, de julho do ano passado (2025) até promove mudanças significativas no crime de furto (art. 155 do Código Penal) ao criar duas novas qualificadoras: a primeira, furtos de bens que comprometam o funcionamento de órgãos públicos ou estabelecimentos, públicos ou privados, que prestem serviços públicos essenciais (pena de reclusão de 2 a 4 anos); a segunda, subtração de fios, cabos ou equipamentos utilizados para fornecimento ou transmissão de energia elétrica, telefonia, dados, bem como equipamentos ou materiais ferroviários ou metroviários (pena de 2 a 8 anos).
Mas, como quase todas as leis brasileiras, isto não pareceu intimidar os criminosos. Na prática, seguem, cada vez mais, estes ataques.
Não são nós tão difíceis de desatar assim, com perdão do trocadilho, os casos desses crimes de furtos de fios.
A Guarda Municipal de Porto Alegre, no caso do túnel da Conceição, têm flagrado ações destes bandidos. Mas no caso específico do túnel da Conceição, fica aquela velha pergunta: com quase um crime por dia – e um crime que não é praticado em poucos minutos -, quando haverá uma intervenção de fato no local?
O Rio Grande do Sul é uma preocupação constante para as empresas fornecedoras de energia. Está sempre entre os estados com maior incidência deste tipo de crime. Uma ação mais rigorosa e estratégias inteligentes de enfrentamento já passaram da hora de serem chamadas de urgentes.
O Rio Grande do Norte já está dando um exemplo: uma nova tecnologia começou a ser usada no estado: os cabos estão sendo marcados com um tipo de "tinta inteligente", transparente, que marca o cobre para sempre. A tinta possui micropartículas com nanotecnologia que se integram ao cobre, deixando o material marcado quimicamente, mesmo se for triturado ou derretido para revenda. Cria um “DNA” no fio e, aí, se o crime ocorrer, basta o poder público se mexer com suas forças de segurança e o poder judiciário aplicar penas com mão pesada nestes criminosos.
Outra estratégia, é a troca dos cabos de cobre da rede elétrica por alumínio, o que diminui, obviamente, o interesse dos criminosos. Já tem empresas providenciando isto, inclusive em Porto Alegre.
Agora, a demanda está grande, o negócio anda lucrativo, ou não teríamos tantos crimes, tanto transtorno ao cidadão e tanta verba pública na velha mania de enxugar gelo e não resolver coisa nenhuma. Como cidadãos, só nos resta torcer para que esta demora não seja, em alguns lugares, parte desse torpe negócio.
