Oscar Bessi

Golpes na Robauto

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Coluna de domingo, edição impressa do CP. 

Foto: Rodrigo Ziebell, divulgação/SSP

 

É noite de quinta para sexta-feira. Alheios ao mormaço e ao tempo instável, na zona norte de Porto Alegre agentes de inteligência do 11º BPM observam um local onde, segundo denúncias, são vendidos carros clonados. De cara visualizam um Hyundai, placas de Santa Cruz do Sul. Verificam o número do chassi no vidro. É de um carro roubado, outra placa. Clone. Decidem fazer o monitoramente velado e ver quem se aproxima. Para surpresa dos policiais, chegam mais dois carros. Então chamam a guarnição do policiamento ostensivo para abordagem. Resultado: dois presos e três carros em roubo recuperados pelos policiais. Uma semana de bons resultados: já na segunda-feira, agentes da 2ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico prenderam em flagrante um homem e recuperaram cinco veículos, todos em registro de roubo, no bairro Rubem Berta.

Estas ações e tantas outras se somam ao fantástico número de prisões que as polícias gaúchas realizam. Duros golpes na máfia da Robauto. Foram apreensões de gangues de adolescentes ladrões de carro, estouro de diversos desmanches, depósitos, oficinas de clonagem e sítios usados para receptação de veículos roubados. O esquema é grande e lucrativo. Ainda bem que a Brigada Militar e a Polícia Civil gaúcha encaram a bronca, fazem valer a lei e, principalmente, mostram que sua dedicação à sociedade gaúcha, pelo menos, nunca será parcelada. Com todas as limitações que possam ter, ou com todos os erros que porventura ocorram. A regra é esta: trabalhar sério. Por e para este povo trabalhador, pagador de impostos, como deve ser. Pena que uns gestores públicos não se espelhem nesta postura e prefiram olhar apenas seus umbigos ou fazer piadas sádicas com a desgraça alheia.

Agora, assim como o tráfico de drogas, as fortunas movimentadas pela Robauto mostram uma realidade triste e doente. E deixam lições. Falávamos da malandragem carioca e do nosso brio de gaúcho. Mas no Rio de Janeiro, muito mais populoso, cheio de favelas e exclusão, recheado de traficantes e suas armas pesadas, são roubados 269 veículos, enquanto em Porto Alegre, no mesmo período, se leva o dobro, mais de 500. Dados que peguei no Jornal A Sirene, da UGEIRM Sindicato. E é roubo, arma na cara do cidadão, pronta pra tirar a sua vida se não entregar o carro, não é furto (fazer evaporar sem vermos), senão os números sobem muito mais. Ora. Se aqui se rouba mais, há mais clientes para peças roubadas, carros clonados e etc. A Robauto se alimenta na falsa, ou perversa, esperteza do consumidor sem escrúpulos. Bom lembrar que cada peça mais barata, de origem duvidosa, que Vossa Senhoria comprar, é mais uma arma apontada para a cabeça de alguém. Talvez a sua.