Oscar Bessi

Honestidade por princípio

corrupnaoNão é raro ouvir alguém dizer que o brasileiro é corrupto por natureza. E assim se justificam como normais certos atos cotidianos, banais, como pequenas fraudes, compras em mercados paralelos alimentados obviamente pelo crime, desrespeito às vagas reservadas aos deficientes ou idosos em estacionamentos, furar filas, etc. E se complementa com o coro – por um lado verdadeiro – de que se lá em cima é assim, então vai se fazer o quê? Nestas horas sempre lembro daquela fábula sobre o elefante, o beija-flor e o incêndio na floresta. Ou a teoria de Maquiavel. Porém, ainda creio na grande massa anônima que não faz alarde dos seus atos, que não midiatiza sua postura e educação, entretanto segue fiel a princípios morais que não foram impostos nem sob ameaças, nem sob castigos. São apenas convicções. Certezas da alma.

Eu conheço dois policiais, Pedroti e Ferreira. Eles já ingressaram nesta Brigada Militar que se debate na luta diária contra violências diversas, crimes que se modernizam e tecnologias nem sempre bem utilizadas. Nesse mundo que nos passa algo de efêmero, vazio, apressado e desumano. Eles não podem dizer que vêm de um “antigamente” que era melhor. Não. Ao contrário, são jovens policiais. Que vivem as mazelas de todos os demais jovens policiais de nosso estado: salários atrasados, salários que poderiam ser bem melhores se pensarmos na importância da sua função, dificuldades financeiras inerentes a quem ingressa numa corporação estadual e é classificado, com esposa e filhos, numa cidade bem distante da sua origem. Esses dois, como tantos outros que tenho a honra de conhecer, são policiais abnegados. Incansáveis. Quando entram de serviço, é certo que algum assaltante ou traficantes sairá das ruas e, pelo menos por um tempo, deixará de fazer mal aos outros.

Esta semana, ao abordarem um veículo suspeito, toparam com um sujeito com considerável quantia de dinheiro consigo. Que admitiu de cara ser oriundo de jogos de azar que ele controlava. Então, para ser liberado da abordagem, ofereceu alguns milhares de reais aos brigadianos. Ele sabia, todo povo gaúcho sabe, que as dificuldades que o Estado enfrenta deixa em dificuldades muito maiores seus agentes. Nem por isso eles aceitaram. Não conseguiriam aceitar propina de ninguém, não são corruptos, não alugam sua alma pela urgência do dinheiro. Eles têm valores consigo. Eles estão ali pela sua missão. Depois, vejo no noticiário as desculpas esfarrapadas e estratégias bizarras de certos corruptos de lá e de cá querendo justificar o injustificável. Quase deixo escapar um pensamento negativo e desmotivado, de que a coisa não tem mais jeito, aí relembro a atitude de Pedroti e Ferreira. Esses policiais de caráter é que me dão esperança. Esses brasileiros honestos e anônimos, incorruptíveis, é que me representam.