Oscar Bessi

Lágrimas no futebol

thumbMadrugada difícil de digerir. Caiu o avião com o time da Chapecoense, o time inteiro, a comissão técnica, os jornalistas que acompanhariam o time do oeste catarinense no que, talvez, seria o grande jogo de sua história: a primeira partida da final da Copa Sulamericana de 2016. São 76 mortos, apenas cinco sobreviventes. Ou seis, talvez mais um jogador tenha sobrevivido, diz o noticiário enquanto escrevo. Foi triste, doído, ler esta notícia confirmada aqui  no Correio do Povo.

A Chapecoense era destaque no noticiário esportivo nacional. A organização do clube, a gestão acertada, a bela campanha, o sucesso no torneio internacional. A Chape não deixava apenas seus torcedores orgulhosos, mas acendia um imenso farol iluminado de esperança ao futuro do futebol brasileiro. Que, perdidos entre erros e fiascos financeiros, os grandes clubes não inspiram mais.

Eu conversava com amigos torcedores Xavantes: torcíamos para que o Brasil de Pelotas seguisse o belo exemplo da Chape. De gestão, de crescimento, de positividade e alegria à sua torcida.

A Chape tinha virado um xodó brasileiro. Um time pelo qual todos tinham carinho. O sorriso dos seus atletas em campo contagiava. Particularmente, eu gostava de ver o Kempes, seu ímpeto, sua cabeleira, seu nome de craque argentino da Copa do Mundo mais antiga que me lembro de acompanhar, a de 1978.

Somos brasileiros. Futebol mexe com a gente. Futebol nos leva às lágrimas, seja de extrema alegria e paixão, seja de tristeza.

Só não podemos aceitar as lágrimas que nascem de atitudes boçais, intolerantes e selvagens, como os dos torcedores do Inter que depredaram uma casa, e agrediram uma família, por causa do drone, domingo. Isto não é futebol. Isto é crime de gangue. Menos mal que os próprios torcedores colorados resolveram criar um movimento em solidariedade aos agredidos, na internet. Porque o clube, infelizmente, lavou as mãos.

Agora, choramos enternecidos, em coro, porque não choram apenas os familiares das vítimas, chora uma torcida inteira. O país está comovido. O time lá de uma cidade pequena, que, como disse uma notícia em Londres, vivia "seu ano de conto de fadas", que venceu todas as adversidades, foi abatido por uma tragédia tão... tão... besta!

As tragédias são bestas. Todas elas.

Vamos orar por esses jovens, por esses veteranos, por essa gente que fez do esporte a sua vida, que se dedicou a um clube e, mais que isso, uma bela causa, um lindo sonho de vitória sadia.

Vamos orar por essa grande equipe que, junto com o time da Chape, partiu, motivados a deixarem suas famílias de lado apenas para noticiar as alegrias da maior paixão brasileira. Os jornalistas, comentaristas, essa gente genial e sempre atenta que nos faz, graças às notícias que sempre nos trazem, graças aos comentários que sempre nos alimentam, saber de tudo o que se passa no mundo. Somos nada sem a nossa imprensa.

A gente chora junto. Sem parar.