Tempo próximo de eleição é chato. E período eleitoral, ainda pior. A gente precisa superar o assédio mental, a poluição audiovisual e a beatificação em massa - que cada santinho traz, sim, um novo santo em potencial, só lendo pra crer. Fichas limpíssimas. Não sei se é efeito de errorex, do photoshop ou do sabão em pó, mas cada biografia brilha mais que a outra. Temos milhares de Ghandis, Madres Teresas e Obamas e nem desconfiávamos. Há quem prometa bolsa-silicone pras madames e um boteco do SUS em cada bairro aos gaudérios. Enfim. Bamo que bamo, já dizia meu amigo Xiru Cornélio, sempre o último a saber (mas o primeiro a reclamar, ainda bem).
Um leitor, que se diz radical de centro, me mandou um e-mail interessante: disse que, por não suportar mais promessas que falam em buracos, praças, obras, o sentido das ruas, a brevidade do destino e essa insuportável incógnita se há vida ou não em outros planetas, juntou meia dúzia de considerados e fundou um novo partido. Para moralizar, endireitar (ou esquerdear, depende da aliança, ou do grid de largada, ou da previsão do tempo), perfumar e embelezar a política nacional. É o Partido da Urbanização Maniqueísta. Ou Partido dos Unidos pela Mamata (vai depender, ele me disse, da coligação, do aluguel dos minutos na tevê e outras relevantes costuras para a democracia, etc.). Como se chama o seu partido? PUM. É isto. "Em 2016, dá-lhe PUM!", ele grita, liberto e feliz.
Para o PUM, explicou seu presidente, dono do cofre e fundador, só há uma caminho para a cidadania: é o deles contra o dos outros e fim de papo. Para não dar porcaria completa, PUM. Para mostrar como se alivia a pressão, mas sem dar m., fique no PUM. O PUM está na rua. Na chuva, na fazenda, nas empreiteiras e nas casinhas de sapê. Quer melhorar? PUM. Saúde? PUM. Educação? Puf, quer dizer, PUM! Segurança? PUM, PUM, PUM. E por aí vai. Nem a justiça tranca o PUM. Podem torcer o nariz à vontade. Mesmo sem fazer barulho, o PUM incomoda muita gente. Ele está no ar. O PUM. Dá para sentir. Parabéns aos que liberaram sua força interior no PUM, aos que soltaram o eco dos seus anseios mais íntimos sem pudor. Que no final nós, meros espectadores, ficamos sempre em meio ao mesmo mar de lama. É tanta lama, né Mariana? Fica até difícil respirar.
Bom, ele encerra me dizendo que o PUM já estuda alianças para 2016. Com quem? Pouco importa. Mas seu favorito é o também novíssimo Partido Antagônico - o PA. E é isto. PA e PUM. Uma coligação fiel à política brasileira.
