Oscar Bessi

Luis Dill, o Grande!

 



Saiu a relação dos finalistas do Prêmio Açorianos 2014 e lá está, mais uma vez, Luis Dill. E desta vez concorrendo na categoria infanto-juvenil com o impecável “Destino  Sombrio” (Companhia das Letras/Seguinte), livro que poderia competir na narrativa longa, sem qualquer melindre. Eu, como leitor ávido e consumidor frenético de tudo que vem do Dill, vibrei. É um autor como poucos. A facilidade, o realismo, o recorte cirúrgico que ele faz em torno das mais banais situações das nossas vidas, transformando nossas pequenas tragédias, ou dramas, ou comédias em literatura, é (a meu ver) o seu maior mérito. O que estimula uma nova geração leitora que o faz por prazer. Ação, suspense, reflexão. Todos os ingredientes com o tempero certo. Aliando à linguagem ágil um roteiro envolvente - sim, eu disse roteiro porque todos os seus livros são facilmente “vistos” pelo leitor como um filme -, Dill é universal. Escreve para todos, de todas as idades, de qualquer recanto deste país. Eu venho de cinco leituras suas em série com a satisfação de quem sai de um banquete literário: Destino Sombrio, A Dor mais Afiada, Safári (que ainda vou comentar neste espaço), Na Companhia de Ágata e Zona de Sombra. Leio os adultos me refestelando como um Garfield no sofá. E leio seus juvenis sendo guri outra vez, lembrando (e sentindo) momentos de emoção iguais aos de quando pegava, na biblioteca do colégio, as aventuras da SS6 ou os livros de Maria José Dupré. Ser finalista do Açorianos numa categoria tão disputada, por tantos autores ótimos, não é para qualquer um. Parabéns, Grande! Nós, leitores, te agradecemos.

Sinopse da editora sobre Destino Sombrio: “Passado, presente e futuro estão eternamente atados pelos laços da consequência. Não só o presente já foi passado e um dia será futuro, como o que fizemos em um deles implica necessariamente nos outros dois. Gildo, o protagonista desta história, que o diga. Dividido entre essas três instâncias, ele foge de alguma coisa que deixou para trás, imaginando o tempo inteiro o que encontrará pela frente. Essa divisão está refletida na estrutura física do livro, que tem cada capítulo narrado em um tempo verbal: presente, passado e futuro se intercalam repetidamente. Assim, conhecemos a história do passado - a de um romance que, aos poucos, sabemos não ter dado certo -, a do presente - em que Gildo dirige por um estrada, para em um bar de estrada e fica muito aflito quando um policial estaciona o carro ao lado do seu e vem se juntar a ele no balcão - e a do futuro - quando Gildo chegará na casa do irmão, que vive no interior, que ele não vê há um bom tempo e com quem tem pouca relação. Conforme as três narrativas vão se desenvolvendo paralelamente e se entrelaçando cada vez mais, descobrimos a verdade por trás de tudo: conhecemos o grande acontecimento que moldou não apenas o passado da história de Gildo, como também determinou o seu presente e consolidou o futuro”.