
Ô semana de notícias feias! Bombas, bancos, crueldade, chacinas, crises. A violência nossa de cada dia a engordar números e alimentar medo, mágoa e ódio. Impaciente, a sociedade se vê vítima e reclama da inércia, quando não cumplicidade, de quem deveria ter atitude efetiva. Há tempos tudo parece seguir rumos decadentes, a descrença eleva ondas de intolerâncias. Calma. Vamos virar a cadeira - primeira lição do meu querido amigo psicólogo Marcio Hoffmeister - e tudo terá outro ângulo. Merecemos ter fé. Cito o poeta que tanto Marcio, como a professora Simone Silberschlag e este humilde cronista, admiram - Manoel de Barros: "no osso da fala dos loucos tem lírios". Vamos regá-los.
A querida amiga Simone me presenteou com o livro "Imaginar e aprender na educação infantil: Projeto Civitas". Obra toda escrita por professores da educação básica e infantil da escola pública municipal de Mato Leitão. Lindo em forma e conteúdo, foi organizado por Paloma Dias, Margarete Axt e Beatran Hinterholz. A alegria imaginativa narrada por professores que a vivenciaram. Instigante e motivador. Insisto: o único freio possível à violência é a educação. E o livro desnuda algo que o Projeto Civitas, desenvolvido pela UFRGS, possibilita: educação da sensibilidade, exercício da cidadania como cultura, construção do belo sob o olhar coletivo de semelhantes. Diversos e múltiplos, sim, mas essencialmente semelhantes. Os textos giram nossas cadeiras.
Mato Leitão é cidade jovem, 22 anos. E há doze já promove sua impecável Feira do Livro. Tradição. Um dos raros municípios a dar vales-livros a todos os seus estudantes, municipais ou estaduais, com recursos próprios. Este ano recebi a honra, do poder público municipal e do SESC/RS, de ser seu Patrono (segundo patronato deste colunista em 2015, só pode ser lobby dos leitores do Correio do Povo!). Uma festa da cidadania. Civitas! A entusiasmada prefeita Carmem Goerk me contou sobre seus projetos de Educação - é professora -, os 100% de alunos em escola integral e sua paixão por livros. E a incansável Secretária de Educação, Edelvani Loeblein, era anfitriã de emoção e sensibilidade à flor da pele, entre literatura, juventude e futuro. Bonito. Contagiante. Reencontrei os queridos atores da Makki produções, e seu imperdível espetáculo "Maria vai com as outras", e o músico, escritor e ator Paulo Bocca, showman dos pequenos. Aplaudo estes bravos e viro minha cadeira. Então abuso do Manoel de Barros: "Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre as pedras - liberdade caça jeito". Em dias de nuvens sem rumo, dá para acreditar. Ser luz. Que acharemos um jeito.
