Oscar Bessi

Minoridade

Bem que a discussão podia ser outra. Em vez de maioridade penal, minoridade educacional. Um plano para que ninguém deixasse de estudar antes da maioridade civil. Embora se saiba que muitos dos grandes bandidos por aí até que são bem instruídos. Diplomados. Pelo menos haveria alguma chance aos comuns. Alguma perspectiva. Um fio condutor. Belos investimentos em professores - armados até a alma de valorização - e escolas. Ou os presídios de segurança máxima (segurança máxima?, tem certeza?) nunca serão suficientes.

E às mães, que o são por objetivo ou acidente, o pré-natal poderia, por esta mesma lei, ir além das consultas médicas mensais e exames clínicos de praxe. Haveria uma escola especial. Que falasse de amor, responsabilidade, compromisso, exemplo, respeito, vida. Aos pais? Tudo isto e mais a tentativa de convencê-los de que, ser pai, não é apenas portar o órgão sexual que na hora do prazer envia milhões de espermatozóides à disputa por vaga no óvulo. Pais ausentes, em todas as formas de ausências possíveis, é um grave problema brasileiro. Parece que ainda existe quem acredite em filho entregue pela cegonha. Como uma coisa, um fardo. Ou que ele vem via sedex - daí viria a ideia, de uns e outros, que se vem ao mundo com um carimbo que antecipa quem seremos na vida: médico, deputado, assaltante, etc. E ao pai e mãe que não frequentassem a tal escola, ou fossem reprovados na sua aptidão de gerar e cuidar de uma nova vida, se estudaria a sanção. Talvez multa. Ou CPF cancelado. Parece que as pessoas têm mais medo de ter seu CPF cancelado do que de semear a indiferença, o ódio e o egoísmo.

Talvez alguns deputados, dentre os que hoje defendem a redução da maioridade penal, não apoiassem com a mesma veemência uma lei de prisão perpétua para corruptos. Ou para quem faz um mau uso da coisa pública (coisa pública, sabe?, essa coisa toda que deveria ser do público, ou nossa). Medo bom é o medo dos outros. Sempre. Mas se quer mesmo botar medo? Ou é mídia? Pelos discursos, mídia. Pelas práticas, também. Veio a lei dos crimes hediondos e só aumentaram os crimes hediondos no país. Veio a lei do desarmamento e agora já são 50 mil brasileiros assassinados a tiros por ano. Lei só de papel dá mídia. Passa. E vira passado sem sair do presente. Nem dá medo. Medo? Quem o prefere? Quem pede o quê? Por quê? Bom de pensar. O medo não muda ninguém. Educação muda. E educação, pelo jeito, ainda mete muito medo. Mas não dá mídia.