(coluna da edição impressa de sábado, 30/7/16)
Se uma das hipóteses trabalhadas pela Polícia Civil se confirmar, ou seja, a de que Vilmar Adão Fraga, de 54 anos, foi torturado e morto na Serraria apenas por ser “delator” dessa facção de dementes - cujo nome me nego a citar, pois não merecem publicidade -, é a maior comprovação que o medo, aos brasileiros, vêm sempre em dose dupla. Há que ser ter medo dos bandidos. Porque eles são cruéis, e cada vez mais abusados em sua crueldade, pois todo dia alguém é executado de forma exagerada e demoníaca. E não poupam inocentes. Nada de briga apenas com rivais, ou com a polícia que os enfrenta. Não. Matam qualquer um. O jovem lutador, que recém vivia a alegria de ter sido pai, morto por bandidos que queriam seu carro em Porto Alegre, é uma prova disto. Eles estão à vontade. Matam por matar, matam por prazer, não há nada de humanidade, nenhum resquício, a barbárie está solta, livre e feliz com suas atrocidades. E lá na origem, na Educação que poderia frear o crescer descontrolado de gente capaz disso, pouco ou nada se faz.
O outro medo é o de descruzar os braços. E se ele foi mesmo morto por ser “delator” da tal gangue, e foi torturado e exibido em lugar público, nu e enforcado, para que servisse de exemplo que quem manda ali são os bandidos, então estamos voltando aos piores tempos da humanidade. Os absurdos que só líamos em livros de História. Por quê? Muito bandido solto graças à benevolência, descaso ou desumanidade do sistema, composto por cidadãos com poder decisório e canetaços “divinos”, gente incapaz de se sentir um pingo de preocupação com o próximo, com as vítimas desses facínoras, com o povo que os sustenta às custas de impostos cada vez mais pesados para que ele, os sustentados, em seus palácios monumentais, decretem a morte desse próprio povo. É o que está acontecendo. Sem meias palavras. E num país tão bonito por natureza!
Aí, ao sabermos da enormidade de bandidos de carreira soltos por aí, executando inocentes, ao sabermos que a polícia prende todos os dias tipos perigosos que em seguida estarão liberados para matar de novo, na velha desculpa da falta de vagas e falência do sistema prisional, e outros papos-furados de quem não tem a mínima vontade de mudar isto há muitos anos, temos que aturar outros absurdos. Presídios interditados. Ou seja, bandidos presos e soltos na mesma hora, ou mais crimes autorizados pelo sistema a acontecer em seguida. E a máxima: uma área de quase 300 hectares, que deveria servir para presos trabalharem e se “ressocializarem”, passa agora às mãos do MST. E o nosso homem do campo, trabalhador rural, sofrendo às pampas. Bah. Quando a gente pensa que a batata está assando, ela já torrou há muito tempo. E essa fumaça podre nos tira o direito básico de respirar.
