Oscar Bessi

Mulher, te escuta! (poema pelas mulheres)

Seguem os feminicídios. Hoje a coluna é um pouco diferente. É um poema. De voz embargada em tristeza, mas acima de tudo um alerta, um apelo.

Mulher, escuta!

Mas escuta teu corpo inteiro

escuta tua alma

Se ele gritou uma vez, te escuta.

Se ele apertou o teu braço, te escuta.

Se ele pediu desculpa chorando depois de te agredir, te escuta.

Se ele teve ciúmes doentios, te escuta.

Violência não começa no tapa.

Começa no controle.

Começa no medo.

Começa quando tu começas a diminuir para caber no descontrole dele.

Mulher, não volta.

Não volta para quem te empurrou.

Não volta para quem te ameaçou.

Não volta para quem prometeu mudar depois de te quebrar.

Não volta — porque cada volta ensina a ele que pode ir um pouco mais longe.

Mulher, te prioriza!

Prioriza teu nome.

Prioriza teus sonhos.

Prioriza tua saúde, tua vida.

Prioriza teus filhos — sejam deles ou não. São teus, muito teus, precisam de ti!

Prioriza quem te ama sem te ferir.

Sim, tu é linda,

especial

exatamente assim como tu é,

do teu jeito

porque nada nem ninguém neste mundo cabe em comparações.

E se na tua vida estiver tudo certo, mulher, graças a Deus

Prioriza aquela amiga que bate na tua porta em silêncio, com o olho roxo e a alma cansada.

Não fecha os olhos pra ela. Não fecha a porta. Não vira o rosto. Não diz que “vai passar”.

Mulher, te escuta:

tu não és objeto.

Tu não és posse.

Tu não és prêmio.

Tu não és obrigação.

Tu não precisas ser boa de cozinha para merecer respeito.

Tu não precisas ser boa de cama para merecer carinho.

Tu não precisas ser silenciosa para merecer paz.

Tu não precisas se comportar segundo as regras dele para sobreviver.

Ninguém precisa ser perfeito.

Todos nós merecemos respeito.

Mulher, escuta.

Escuta os sinais.

Nunca será tua culpa.

E se aconteceu, registra.

E se registrou, não recua.

Se denunciou, sustenta.

Se pediu ajuda, não se desculpe.

Nunca será tua culpa.

Recuar

pode ser autorizar o pior.

Voltar

pode não ter retorno

E o silêncio, mulher

é o aplauso que a violência espera.

Ao menor sinal, mulher, para. Te afasta.

Ao menor sinal, sai. Encerra antes que piore.

Ao menor sinal, pede ajuda.

Ao menor sinal, te escolhe.

Amor não dói.

Amor não ameaça.

Amor não humilha.

Amor não pode ser medo de chegar em casa.

Mulher, escuta:

Teu corpo é território sagrado.

Tua vida não é negociável.

Tua existência não é um ensaio.

Fica viva.

Fica firme.

Só Fica.

Tu nunca ficará sozinha.


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