Infelizmente, a velha sentença de que a multa é educativa não se confirma mais uma vez. Multa arrecada, não educa ninguém. A história de que se o brasileiro "sentir no bolso, pensa melhor" não é uma verdade absoluta. E, com isto, não estou atacando o formato punitivo: penso que se tem mais é que multar mesmo, visto que há regras, todos estão cientes destas regras, quem não obedece age deliberadamente para tal. Então, que se puna.
Porém, o que digo aqui é que apenas multas não são suficientes. Milhares de autuações foram realizadas pelas polícias rodoviárias nas estradas do país, pelos agentes fiscalizadores de trânsito nas ruas das cidades e nas zonas rurais. O resultado, pelo menos nas estradas federais, não foi animador: 30% de mortes a mais do que no feriadão de carnaval do ano passado.
Acreditar que multa irá educar é o mesmo que esquecer de ensinar limites, amor, carinho e respeito ao próximo para seu filho quando pequeno e, depois de adolescentes, crer que cortar mesada ou ameaçar bater vai consertar a omissão anterior. Não conserta. É ilusão, engano.
Quem pegou estrada neste carnaval viu o festival de absurdos. A irracionalidade, o abuso, o inacreditável comportamento de uns e outros. Mais comum do que qualquer lógica possa prever. Ainda.
Nossas estradas precisam de mais educação. De muito mais educação. mas radares com placas de aviso para que se escape da multa não educam. Ameaças de fiscalização não educam. Então, há que se agir na raiz do problema (olha eu falando sobre o ovo do Colombo de novo, mas, pasmem, o óbvio parece invisível aos olhos de muitos) e educar de fato nossos condutores.
É preciso educar melhor o condutor brasileiro.
Mais: é preciso educar muito melhor o brasileiro, desde cedo.
Ou se faz isto, ou nada passará de uma estratégia gigantesca de arrecadação e nada mais.
