Oscar Bessi

Não teremos passeata pelo delegado Ruy

Foram mais de 40 anos enfrentando com coragem a maior facção criminosa brasileira

As cenas que tomaram conta dos noticiários na noite desta segunda-feira são como um recado mortal do crime organizado brasileiro. Homens muito bem armados, e com treinamento – e isto fica claro pela postura na perseguição, na execução e na fuga do local do assassinato – deixam claro que este país ainda está nas mãos deles. Mesmo com tantos esforços para se combater facções criminosas, milícias, quadrilhas e seus tentáculos nos diversos setores da vida pública nacional.

Ruy Ferraz Fontes, 68 anos, foi delegado-geral da Polícia Civil paulista. Liderou investigações históricas contra o crime organizado. Foi ele quem revelou ao país a estrutura e o poder do PCC, e a forma de enfrentar esta facção criminosa sem se curvar ou se vender. Estava na lista de morte desses bandidos há anos.

A Polícia Civil paulista trabalha com duas suspeitas principais para a motivação do crime: vingança dos chefes do PCC ou reação de criminosos insatisfeitos pela atuação dele à frente de Secretaria de Administração da Prefeitura de Praia Grande. Sabendo como anda a política brasileira, impregnada pelos tentáculos do crime, principalmente do tráfico de drogas, é uma possibilidade gigante. Outra, é que a banda podre da própria polícia tenha executado o delegado.

Um herói de carne e osso, um policial de verdade, um agente da lei implacável. Um brasileiro que honrou seu juramento e sua vida pública. Um homem que não mediu esforços em arriscar sua vida pelo bem comum. Deixa saudade aos que prezam pela decência, aos que sonham com uma sociedade mais justa.

Mas, infelizmente, de uma coisa eu tenho certeza: hoje não haverá nenhuma manifestação ou passeata pedindo justiça contra os assassinos que o executaram.