Na madrugada de quarta-feira, policiais militares do meu batalhão surpreenderam uma dupla, na madrugada, com material típico da prática de abigeato. Era área rural. Cheios de antecedentes criminais, mas sem mandado de prisão, eles não sabiam dizer ao certo o que faziam ali. Como estamos no Brasil e criminosos só são presos quando admitem, num espasmo de benevolência, serem criminosos, ou quando são pegos com a boca na botija (mas tem que ser bem na botija, senão é direito de ir e vir ou etc.), a dupla não foi autuada em flagrante. Foi liberada. O material foi confiscado e encaminhado à Polícia Civil para investigação, pelo menos. Os policiais também anotaram os dados dos sujeitos para ficar atentos ao seu possível retorno, já que eram do Vale dos Sinos e, pelas suas fotos, gostam de crimes. Expediram alertas aos colegas e à comunidade. Mas este sistema legal, ao fim das contas, autorizou foi um deles a retornar na noite seguinte, invadir residência armado, fazer família refém e levar seus bens. Nada de novo no bizarro front tupiniquim.
Com um deles, fotos de um restaurante. Já se informou a quem de direito, pois parece óbvio que se, entre outros crimes do alheio, os caras roubam gado e o abatem clandestinamente, o restaurante pode ser um comprador. Porque anda assim, o cenário. Nada importa além do lucro. Se o sujeito vende drogas, peça de carro ou comida clandestina, azar, ele não quer nem saber. A sua índole é ruim e vê ali apenas um bom negócio para ganhar dinheiro fácil. Capitalizar e crescer na enganação, mesmo sabendo que pode morrer alguém. Penso nos milhares de comerciantes honestos que temos por aí, que lutam contra a maré da sobrecarga de impostos, cada vez maiores e implacáveis, criados para sustentar a farra de umas sanguessugas que se instalam no poder. Eles pagam tudo direitinho, até fechar as portas de tanto pagar. E esses bandidos do comércio clandestino? A máfia das cargas roubadas, da adulteração e da falsificação? O sistema é tão implacável assim?
Felizmente, há gente nas Polícias e Ministério Público interessada nos dramas do povo (como todos deveriam estar, inclusive o Judiciário e as cúpulas dos Poderes Executivos, pois também são empregados deste povo). Sinceramente, se eu fosse o promotor que desmascarou o bando da água mineral, faria uma involuntária greve de fome, tamanha náusea. Comer e beber o quê, neste país? Antes era o leite. Agora é a água. Água! Nada escapa das garras das máfias. Nada escapa da violência. Quem faz isto com alimento não difere de traficantes de drogas ou políticos corruptos que aniquilam nossa sociedade. Por favor, na hora em que partir uma nave para a Lua, me avisem. Mas, antes, quero ver a lista de passageiros.
