
O Batman não aguentava mais aquele povo chamando por ele, côsa e tal. Decidiu pedir ajuda. Convocou o pessoal da Liga da Justiça para uma reunião. Que reunião é bom porque reúne. Estavam lá o Superman, Aquaman, Mulher Maravilha, Ciborgue, Flash, a cambada toda. Menos o Robin, que não conseguiu remarcar a manicure.
- O Robin foi fazer as unhas, é? Humm. - Aquaman gostava de botar uma água na fervura.
- O que é que tem, Aqua?
- Nada, nada.
- Preconceito numa hora dessas? Não somos mais quadrinhos dos anos 50.
- Ih. Entendeu errado. Só quero que tome cuidado, Batman.
- Por quê?
- Olha a Fabíola...
O homem morcego ficou pensativo. Mas não estava ali para discutir relação.
- Ouçam isto. - ele falou, e acionou o celular. Fez-se silêncio na sala de justiça para ouvir a gravação. O Flash pensou que era mais uma delação premiada qualquer, mas não. Eram tiros. Tiros e mais tiros.
- O que é isso? Mercenários 4?
- Good morning Vietnã?
- Tá gravando filme no cinema, Batman? É crime!
- Porto Alegre.
- Hein?
- E não é filme. É vida real.
Desconforto. Ouviram os relatos de Batman sobre a capital gaúcha e seus homicídios, guerra do tráfico, roubo de carros, etc. E nada de chamarem mais policiais pra enfrentar os bandidos. E nada de ensinar as crianças que o crime não compensa. "Não dá pra deixar essa pros Vingadores?", murmurou a Mulher Maravilha.
- Não dá. Os porto-alegrenses me chamam toda hora. Dizem que sou o único "capa-preta" em que eles levam fé.
- Ah.
- Mas não dá, tá demais, preciso da ajuda de vocês.
Depois de muito resmungo e muxoxo, concordaram. Não seria fácil. Porto Alegre não é Gotham City, Batman. Sabe o que é isso?
- Sei. Por isso, agora vou ligar o nosso super mega ultra hiper master detector de criminosos.
- Quê?
- Comprei no Mercado Livre. Liga aqui, ó, e aparece a lista com a foto e o endereço dos caras que mais cometem crimes contra seu povo. Com o covil dos principais malfeitores nas mãos, prendemos os caras antes mesmo que eles saibam o que está acontecendo. E salvaremos a cidade.
- Boa!
- Boa! Boa!
Batman apertou o botão "power" do aparelho. Que em seguida começou a projetar na parede fotografias e endereços.
- Mas Batman, esses aí...
- Esses lugares...
- Essa...
- Ihh...
- Psst! - fez Batman. E pegou o celular, apressado.
- O que vai fazer?
- Ligar pro 190. - ele suspirou. - É só o que dá pra fazer.
