Oscar Bessi

O alerta da ameaça hacker

Capacidade de invasão e adulteração de dados em importantes sistemas operacionais oficiais, como os das polícias e do Poder Judiciário, por parte do hacker e criminoso que ameaçava o influenciador Felca, precisa servir de alerta para que autoridades endureçam e fortaleçam controles, acessos e sistemas. O fato é que engatinhamos em segurança tecnológica em muitos setores públicos.

Cayo Lucas tem apenas 21 anos. É um guri. Preso em Olinda (PE), suspeito de ser o autor de ameaças de morte ao influenciador Felca, ele estava acompanhado de outro jovem. No momento da prisão, eles acessavam a plataforma de Segurança Pública do Estado de Pernambuco. A perícia ainda dirá o que eles faziam.

Segundo a Polícia Civil daquele estado, através do titular da delegacia de crimes cibernéticos, Cayo conseguia invadir sistemas das polícias do Brasil e do Poder Judiciário, e podia inserir informações de mandado de prisão de qualquer pessoa. Ainda utilizavam essas informações também para abertura de contas para lavagem de dinheiro e recebimento de pagamentos.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que este mesmo rapaz, capaz de decretar a prisão de qualquer um de nós, vendia material infantil. Ou seja, este criminoso podia, além de fazer mal a tantas crianças de adolescentes, ameaçar de determinar a prisão de seus pais ou responsáveis, caso fosse enfrentado ou denunciado. Que tal?

Tudo começou quando, na semana passada, a Justiça determinou a quebra de sigilo de um usuário do serviço de e-mail do Google, pelas ameaçar de morte a Felca. Ou seja, o Google não tomou qualquer iniciativa, teve que existir e intervenção judicial e o trabalho policial. Por que Felca foi ameaçado? Todos sabemos: por denunciar a “adultização” de crianças e adolescentes nas redes sociais.

A justiça ainda fixou ainda multa diária de R$ 2 mil, limitada a no máximo R$ 100 mil, para o caso do dono da conta não cumprir as ordens judiciais. Pouco, hein? Para um sujeito que é capaz de causar tantos males e desvios, autor de tantas condutas gravíssimas, é muito pouco.

Mas fica o alerta: nossa internet segue sendo zona livre para criminosos agirem à vontade. Nossos sistemas não são seguros e os órgãos públicos estão muito mal preparados para enfrentar estas ameaças. Os golpes se multiplicam. Os invasores, hackers, também. As polícias brasileiras se esforçam, mas têm setores restritos e ainda muito mal equipados para lidar com segurança tecnologia. Aliás, muitas polícias brasileiras ainda nem têm esta previsão em seus quadros. Ou tem servidores sem muita formação técnica quebrando galho, ou poucos que realmente são peritos nesta área, sempre sobrecarregados.

Não se admite mais, nesta envergadura de crimes e possibilidades tecnológicas, que as polícias - e falo de todas as polícias, em todos os níveis – não tenham setores fortes, robustos, bem equipados e prontos para agir, de segurança tecnológica. Afinal, não é só em propaganda de rede social que precisamos perceber ações policiais. Quantos Cayo Lucas ainda seguem livres por aí?

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