Danilo Fernandes é uma ilha de dignidade neste atrapalhado, desastroso e irreconhecível Internacional de 2016. Sempre deixou claro, por ações e desempenho, que era um grande goleiro. Na opinião de alguns torcedores amigos meus é mais goleiro que seu antecessor, mesmo este sendo titular da seleção brasileira. Mas há muito tempo que a gente sabe que estar na seleção brasileira não quer dizer, exatamente, estar entre os melhores do país. Business, of course! Mas aí já é questão de opinião. E Alisson também é um grande goleiro.Quando pegou o pênalti contra o Coritiba, mesmo machucado, e deu moral para o time vencer o Coxa, comentei com amigos que aquele gesto, e aquele jogo, e aquela defesa do Danilo talvez salvassem o Inter do rebaixamento. Se o time colorado permanecesse na série A, deveria isto ao seu goleiro. Mas o time, que conseguiu ser pior do que o imaginado, não soube se valer de um gesto simbólico de raça, vontade e superação. Pois só o goleiro estava imbuído destes sentimentos. E não conseguiu contagiar os demais.
No jogo deste domingo, que decretou a queda colorada, Danilo foi lá e, mais uma vez, fez a sua parte. Até pegou outro pênalti.
E na maior parte do tempo era o único que mostrava vontade de vencer. Que demonstrava respeito à gigantesca torcida colorada.
Danilo Fernandes foi o beija-flor e levar, sozinho, suas gotas d"água para apagar o incêndio. Problema é que, no caso dele, nenhum elefante ou outro parceiro se solidarizou. O fogo venceu.
"Tem que ser mais homem, querer mais!". Esta frase ficará na história do Inter, como uma ilha de brio no ano da maior vergonha colorada.
Danilo Fernandes entra para a galeira restrita de grandes heróis colorados, atletas cuja história emprestam alma ao que representa o Internacional para o seu povo. Mesmo em dias ruins, ele conseguiu, sim, esta façanha. Foi o mais colorado de todos.
E ele não entra para a história e para o coração desta imensa torcida apenas por ser bom goleiro. Em dias de absoluta descrença nas imagens públicas, de extrema decepção com as atitudes das figurinhas carimbadas nas mídias, do momentos político e econômico desastroso (até desaforado) por que passa o país, Danilo Fernandes virou símbolo de algo que anda raro: vergonha na cara.
