
Em 2010, o Governo Federal criou o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Vamos repetir: isso foi em 2010. E houve grande alarde, marketing oficial, notícias, presenças ilustres, discursos emotivos e floridos, chavões de sempre e muito blábláblá.
Pura ladainha de governo em ano eleitoral. Mais uma. Nada de novo no Brasil.
Só três anos depois a página foi atualizada. E daquele jeito. Agora clique lá e confira o absurdo do descaso: www.desaparecidos.gov.br
Que barbaridade! Que falta de respeito com as vítimas, com as famílias desses brasileiros!
A cada ano, 250 mil brasileiros desaparecem.
A cada ano, em torno de 50 mil crianças e adolescentes brasileiros estão entre esses desaparecidos!
Bah! Quantos estão cadastrados lá no site? Pasmem: nem 400...
Ontem, 25 de maio, foi o dia internacional de referência sobre o tema, devido ao caso do menino Etan Pats, de Nova Iorque. Só em Porto Alegre, uma operação da Polícia Civil gaúcha localizou mais de 40 desaparecidos, entre crianças e adolescentes. Pelo site, seria mais de 10% dos casos em todo o país.
Fico pensando no volume de CCs e correligionários "muito ocupados" com isto desde 2010. Uma pena que o descaso não seja financeiramente mensurável e não caia nos números das operações Lava-jato da vida. A fortuna que uma promessa pública significa na alma de quem sofre por essas perdas é gigante. Tem o tamanho de uma vida.
Nenhum grande executivo da Odebrechdt ou da JBS vai falar sobre o tamanho dessa dor em delação premiada. Ela não tem valor pra essa gente. Dor não cabe em mala de político. Só as vítimas - e elas são na maioria pobres, trabalhadores, anônimos, comuns - sabem o que sentem. E eles não compram e nem vendem o silêncio de ninguém. Só tocam a vida com suas dores caladas.
Amanhã falo mais sobre isso, na coluna de edição impressa do nosso Correio do Povo. E leia aqui sobre a belíssima ação da Polícia Civil gaúcha.
