Oscar Bessi

O grande comandante

Éramos jovens sonhadores, naquele sábado ensolarado de 19 de novembro de 1994 (alguém dirá, opa!, havia o “Véio” Badzinski: pegação de pé injusta, ele mal passava dos 30, era um guri). Fomos declarados aspirantes a oficial da Brigada Militar, numa solenidade tão bela quanto tradicional e emocionante. O campo de futebol da Academia de Polícia Militar (APM), na antiga Chácara das Bananeiras, recebia madrinhas, padrinhos, familiares, convidados e autoridades civis e militares, incluindo o governador do RS, nosso paraninfo. Dali, saíriamos para as diversas unidades operacionais, espalhadas pelos quatro cantos do Estado, para comandar pelotões de policiamento e participar dos destinos da segurança pública nas comunidades mais diversas deste pampa. Se tudo desse certo, seríamos, em breve, promovidos a 2º tenente, depois 1º tenente, capitão e, quem sabe, alguns de nós chegariam ao posto máximo de coronel. Mas ninguém saberia dizer o que nos aguardava. E as estradas seguiram assim, únicas, como são as vidas humanas, mesmo quando unidas por um propósito ou ideal. Entre esses jovens, havia um garoto que chegou na APM com 17 anos. Um sujeito alto, de amizade franca e sorriso fácil aos amigos, cheio de energia e sem medo do desafio, como todo bom descendente de italiano. Seu nome era Cláudio dos Santos Feoli.

A trajetória de um oficial da BM logo se torna conhecida por todos os seus pares, superiores e subordinados. Quem quiser saber como é o coronel Feoli, basta perguntar aos veteranos do 11º BPM dos anos 1990, ou aos integrantes do 1º Batalhão de Choque, inclusive os que lá estão hoje. Ouvirão apenas admiração e respeito de todos. Ouvirão histórias de coragem, de conhecimento técnico, de valorização da linha de frente, capacidade de diálogo, liderança natural. Ouvirão que o destemor no front se aliava com uma incrível diplomacia que, aos desavisados, poderia parecer improvável. Ouvirão sobre verdadeiras aulas de estratégia e técnica. E a determinação em atingir um objetivo, seja este o fim de um medo, em determinada comunidade, ou a melhoria das condições de trabalho e incentivo de sua equipe. Ele sempre foi assim. Desde cadete. A voz que se levantava definitiva e equilibrada para resolver, de fato. 

Lembro que, numa fase horrível da minha vida, eu caminhava cabisbaixo, à noite, na avenida Oscar Pereira, quando ele passou de bicicleta e me chamou. “Tudo vai acabar bem. E se não está bem, é porque ainda não acabou”, ele disse. Ele é assim. Quando todos não têm mais nada a dizer, ele surge com palavras de incentivo e vira o jogo. Nunca esqueci dessa frase. Lembrei muito dela quando adoeci. E cá estou, muito bem. Por isso, eu me sentiria mal se não contasse aos meus leitores, nesta coluna, minha alegria neste momento tão especial, com a chegada desse ser iluminado ao comando supremo da corporação. A Brigada Militar já foi conduzida por grandes profissionais. Mas o coronel Feoli, bom, sua carreira e sua postura, humana e profissional, são um exemplo para a história. Os soldados do front estão representados. Os gestores que apreciam estudar e se dedicar com afinco ao nosso trabalho, estão representados. E ele chega acompanhado do coronel Douglas, parceiro de operações especiais desde os tempos das primeiras Patres, quando tenentes, em grandes ações contra o crime. Como é bom ver o triunfo de quem merece! A Brigada Militar inteira, e a comunidade gaúcha, aplaudem de pé o novo Comandante-geral da BM, coronel Feoli.