Oscar Bessi

O massacre de Novo Hamburgo e o luto na família brigadiana

A família brigadiana está em luto. O homem que, transtornado, atirou contra os próprios familiares, matou o Soldado Everton Kirsch Junior, 31 anos, integrante da Brigada Militar desde 2018. Um jovem pai que havia presenciado o nascimento do seu filho há apenas 45 dias.

Quatro mortes. Numa ocorrência que, ao ser acionada a Brigada Militar através do seu fone 190, parecia prometer apenas outro conflito familiar. Um homem pedia ajuda contra o filho que estava ofendendo e agredindo os pais. Outro caso de desrespeito com pais, com idosos, como tantos outros que acontecem no cotidiano dessa nossa sociedade adoecida.

Mas não. Estava iniciando uma das piores noites da história de Novo Hamburgo. E a BM assim que chegou ao local já se deparou com dois corpos na calçada.

Um pesadelo.

Os policiais militares foram lá. Verificar. Ajudar. Socorrer. Se arriscar. Eles sempre vão, né, pessoal do “quer o fim da Polícia Militar”?

Era tudo muito pior do que a perspectiva mais pessimista poderia esperar.

A família brigadiana está em luto. O homem que, transtornado, atirou contra os próprios familiares, matou o Soldado Everton Kirsch Junior, 31 anos, integrante da Brigada Militar desde 2018. Um jovem pai que havia presenciado o nascimento do seu filho há apenas 45 dias.

Dois outros policiais militares seguem em estado crítico no hospital, passando por mais de uma cirurgia. As preces de todos pedem que eles melhorem logo os seus quadros de saúde.

Ao todo, 01 PM morto, outros 06 baleados. Entre eles, o Comandante do BOPE, Tenente Coronel Santos Rocha. Também um Guarda Municipal foi baleado.

O homem ainda matou o irmão, além do pai. E feriu gravemente a mãe e a cunhada.

O sujeito foi encontrado morto pela BM, quando os policiais invadiram o local após exaustivas tentativas de negociação para que o atirador e assassino se entregasse. Mas o encontraram morto.

Agora, a pergunta que não quer calar: por quê um sujeito, que é caminhoneiro, tem 04 armas em casa e tanta munição? Ele tinha uma pistola 9mm, até pouco tempo inacessível a cidadãos comuns. Tinha outra pistola calibre .380 e duas armas longas.

A gente sabe que caminhoneiros sofrem ataques e assaltos nas estradas (embora eu nem saiba ainda que tipo de função ele exercia). Mas uma arma não é o suficiente para defesa própria?

Se ele tivesse apenas uma arma para sua defesa pessoal, teria acontecido toda essa tragédia?

Há quanto tempo ele maltratava os pais? há quanto tempo ele mostrava sinais de perturbação?

Esta triste história, além da dor de tanta gente morta, além da dor de perdermos um guardião da nossa sociedade, um herói que tomba no cumprimento do seu dever, deixa também uma reflexão necessária: quem, ao nosso redor, nós sabemos que têm armas e não têm condições de portá-las? Não podemos facilitar. Porque as armas não matam sozinhas. São as mãos que as empunham que geram todas as tragédias.

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