Oscar Bessi

O país que não aguenta mais bandidos

goleiro-brunoNão é intolerância reacionária ou extremismo. Não julguem mal o povo brasileiro. É apenas cansaço e desilusão. Nossos cidadãos não aguentam mais a pressão da violência cotidiana, brutal e impiedosa, que ceifa sem escrúpulos a vida de nossos filhos. De jovens estudantes, como ocorreu esta semana, e na semana passada, ou como acontece todos os dias bem perto de nós. O povo brasileiro só não suporta mais a tensão de saber que será a próxima vítima. Que cuida de suas crianças para que sejam violadas, violentadas, assassinadas. E que seguir vivo depois de um assalto depende do nível de drogadição, insanidade ou demência de um bandido qualquer que decidiu te roubar, dono de uma ficha interminável de crimes e mesmo assim livre por aí, matando e roubando, armado, tranquilo.

Podem os filósofos das poltronas confortáveis, no frescor de seu ar-condicionado, achar que é intransigência. Nada disso. É medo bruto, paciência esgotada, sensação de impotência que dói na alma. É se sentir um otário ao pagar tantos impostos e não ver nem seus filhos protegidos por um sistema minimamente decente e honesto. E é por isso que repercutiu tão mal a contratação do goleiro Bruno, recém-saído da cadeia, por um time mineiro. Ele foi condenado, é um assassino, um criminoso brutal, um sujeito capaz de tamanha barbárie para tirar a vida de uma jovem. Ele e os amigos não se contentaram em matar a moça, eles cortaram seus pedaços e jogaram aos cães. Bruno já pagou por seu crime? Isto não foi rápido demais pela crueldade de tudo o que foi feito, pelo que essa moça sofreu nas mãos desses carniceiros desumanos?

E outra, é o futebol. A paixão brasileira. Mesmo tão desgastada e sem o brilho de outrora, diminuída pela ganância mercantilista que reduziu campeonatos regionais, esfacelou com o futebol amador, que joga bilhões nas mãos de muito poucos e eliminou os campinhos nos bairros das cidades. Cheia de desconfiança entre máfias e esquemas de resultados. Mas ainda é nossa paixão. Aí esse time contrata o Bruno. Um assassino. Cruel. Para ser bem pago, filmado e idolatrado nas imagens esportivas da TV. Não, os gerentes do clube não pensaram na ressocialização desse sujeito. Quiseram foi o marketing gratuito intrínseco. Gol contra: perderam patrocinadores e torcedores, ganharam antipatia e rejeição de muitos. E pode acontecer coisa pior. Porque o povo brasileiro não aguenta mais bandido debochado vivendo numa boa, livre para cometer o crime que quiser. Querem ressocializar o Bruno? Ótimo: tem enxada pra plantar, tem obra em construção de estrada, tem muito trabalho de brasileiro comum. Não preciso voltar com pose de superstar. Alguém dirá, é Brasil. Mas nesses tempos de lava-jato e podres poderes, não, nem o brasileiro aguenta mais a ditadura escrachada dos bandidos em quaisquer níveis.