Oscar Bessi

O serial killer e a selfie nas lápides das vítimas

Como em vários casos que conhecemos, de notícias ou filmes, Albino acompanhava e guardava as notícias sobre seus assassinatos. O que espantou a todos, e acredito que até os policiais, eram as selfies que ele fazia nos locais onde suas vítimas estavam enterradas. Qual o sentido?

Não é o tipo de notícia que costuma frequentar o nosso sempre farto cardápio macabro das páginas policiais. E olhe que estamos no topo do ranking mundial em vários tipos de crimes e violências. O que não orgulha ninguém. Mas ultimamente andamos assim, vendo acontecer aqui coisas que julgávamos ser apenas lá, de mundos distantes. Tragédias climáticas com centenas de vítimas, atentados a bomba, planos para assassinar autoridades, atiradores em surto. E serial killer. Sim, em Maceió a polícia descobriu o que pode ser a ponta do iceberg de um capítulo monstruoso de violência sequencial e planejada por um único assassino. E, ainda que tenhamos outros personagens semelhantes na crônica policial brasileira, como o “maníaco do Parque” ou o “vampiro de Niterói”, o caso do matador em série de Alagoas surpreendeu e revoltou muita gente.

Os policiais envolvidos na investigação dos crimes praticados por Albino Santos de Lima, um ex-agente penitenciário de 42 anos, revelaram já terem confirmado a autoria de pelo menos 10 assassinatos. Todos cometidos dentro de um perímetro de menos de 1km do local onde mora. Segundo dados levantados pelos investigadores, ele escolhia suas vítimas principalmente em redes sociais (ah, as redes!) que privilegiam a exposição (ah, a exposição!) de imagens das pessoas. Todos muito jovens, alguns adolescentes, como a menina de apenas 13 anos, executada em frente a sua irmã menor e a uma amiga. A polícia estabeleceu um padrão em suas ações e, graças ao avanço tecnológico das análises periciais, as provas são cabais. Mas a pior notícia é que, agora, os policiais resolveram abrir casos de homicídios desde 2019. Pode haver um elenco bem maior de vítimas desse maníaco.

Os EUA têm cadastrados, em seus sistemas de controle, algo em torno de 3.600 serial killers. Por isso insisto, não é coisa típica de brasileiro. Dá pra elencar todos os nossos ao longo da história. O que há de comum entre esses criminosos, que não necessariamente são psicopatas – assim como nem todo psicopata é um serial killer – é que eles obedecem a métodos por eles mesmos estabelecidos. Os troféus. E as explicações – o de Maceió dizia ser justiceiro, como o paulista Jonas Félix, que, após ver sua esposa ser estuprada num assalto, em 1986, matou 50 (todos criminosos, segundo ele) até ser preso sete anos depois. Não confere: a polícia diz que nenhuma das vítimas alagoanas tinha qualquer envolvimento com o crime.

Como em vários casos que conhecemos, de notícias ou filmes, Albino acompanhava e guardava as notícias sobre seus assassinatos. O que espantou a todos, e acredito que até os policiais, eram as selfies que ele fazia nos locais onde suas vítimas estavam enterradas. Qual o sentido? Não que se busque lógica nos atos de um assassino, pois o simples fato de se achar no direito de acabar com a vida de alguém, ainda muito jovem, e ir lá executar essa pessoa, já não faz qualquer sentido. Mas fica um embrulho no estômago. Ele não só acabava com uma vida, como ia lá profanar o local reservado à despedida e saudade dos familiares. Que tenha a pena adequada (ainda que no nosso sistema não pareça haver pena adequada a monstruosidades). E que não tenha havido muito mais vítimas desse assassino.