Ofensiva contra o medo

Ofensiva contra o medo

O Sistema de Justiça e Segurança se uniu para enfrentar esta violência de gênero. O que não é muito comum, infelizmente. Mas uma tendência cada vez mais necessária. Tomara que a moda pegue.

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Os resultados da Operação Nacional Maria da Penha, ofensiva lançada no final de agosto para durar um mês em todo o território brasileiro, já davam conta de quase 6,5 mil presos em todo o Brasil por descumprimento de medidas protetivas, ameaças, agressões e outras violências contra mulheres. Um baita susto na prepotência cultural. Isto que nem todos os estados aderiram de forma séria. Pelo menos houve o reforço do Conselho Nacional de Justiça, o que significou um tremendo reforço e amparo para as ações policiais. O Sistema de Justiça e Segurança se uniu para enfrentar esta violência de gênero. O que não é muito comum, infelizmente. Mas uma tendência cada vez mais necessária. Tomara que a moda pegue. E siga outros caminhos urgentes de descalabro que tornam nosso país um histórico palco de circos sem nenhuma graça para seu povo.

A ação tinha o objetivo de comemorar os 15 anos da Lei Maria da Penha, cuja história já contamos aqui na coluna. E ela, Dona Maria Fernandes, cada vez mais ativista e sabedora da necessidade de mudar cenários históricos, é uma vitoriosa depois de tudo que passou e conta em seu livro “Sobrevivi, posso contar”. Ela luta para que mais mulheres sobrevivam. Nem todas conseguem. Os casos se acumulam. As notícias se repetem e já nem surpreendem mais. A luz no fim do túnel são estas ações coordenadas para garantir proteção para tantas mulheres que pagam o preço de tentar prosseguir com sua família ao lado de agressores, ou de tentar se livrar deles e seguir uma nova vida. A covardia desses agressores não tem limites e nem preciso aqui repetir as tantas histórias que nos abalam. E que marcam, para sempre, mães e filhos.

O Rio Grande do Sul já esteve num patamar bem difícil ao olharmos as estatísticas da violência contra a mulher. Que é dado novo, há pouco tempo nem se qualificava isto nas ocorrências policiais. Mas basta ingressar na página da Secretaria de Segurança Pública e verificarmos. Mesmo com a pandemia, que fez este tipo de violência crescer de forma absurda, nosso estado vai melhorando cada vez mais seus números nas questões de agressão à mulher, feminicídio e tentativa de feminicídio. Muito se deve à Patrulha Maria da Penha, ação que a Brigada Militar desenvolve diuturnamente com policiais militares qualificados para lidar com esse tipo de situação. Eles acompanham todas as vítimas com medidas protetivas e ações registradas. Recentemente, centenas de policiais foram qualificados para atuar nestas patrulhas em todo o estado. É a cidadania a postos para enfrentar a covardia, a intolerância e a brutalidade. E olhe que há que se aprimorar ainda a questão dos abrigamentos, mas aí muitos municípios ainda precisam descruzar os braços. Talvez, com o engajamento destes, possamos vencer outro grande inimigo desta luta: o medo. Que se faz silêncio.  

 


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