Oscar Bessi

Oficina literária em Montenegro

 

Peço permissão aos leitores do CP para não falar, hoje, de crimes. Ou de injustiças. Nem de governos incompetentes. Esses assuntos podem ficar para amanhã, e depois de amanhã, e depois de depois de amanhã. Eles estão na pauta das nossas aflições a todos instante.

Hoje é mais um daqueles dias especais na minha vida. Numa promoção do SESC/RS - ah, pai do céu, o que seria deste país se não fosse o SESC a levar cultura, arte, literatura, esporte e lazer aos quatro cantos de nosso vilipendiado e continental Brasil? -, na pessoa do sempre incrível agitadora cultural e escritor Mateus Araújo, e da Organização da 14ª Feira do Livro de Montenegro, inicio mais uma oficina literária. Não é a primeira. Mas esta, confesso, tem uns diferenciais maravilhosos.

Em primeiro lugar, porque falaremos sobre narrativa. É a literatura que eu amo, estudo e um dia, se Deus quiser e eu continuar insistindo, conseguirei produzir no mesmo nível das coisas boas que gosto tanto de ler.

Em segundo lugar - e que poderia ser primeiro, mas não estou colocando numa ordem hierárquica, apenas escrevendo como a felicidade me determina -, porque teremos a participação do Mestre Paulo Tedesco, consultor editorial, editor e escritor, um cara de conhecimento fantástico, uma das maiores autoridades sobre o assunto "mercado literário" na América Latina. Ele é colunista do PublishNews e já trabalhou inclusive no mercado norte-americano, o maior do mundo. Quem ainda não assistiu uma palestra ou não fez um curso com esse cara, recomendo. Mudei minha visão sobre a produção literária depois de um curso com ele.

E acima de tudo porque é na minha cidade. Onde moro desde os nove anos, com um intervalo profissional de uma década e meia rodando por aí, onde li meus primeiros livros e rabisquei minhas primeiras historietas (achando que ia pegar menina na escola), onde descobri a magia da literatura e vi um escritor de perto pela primeira vez. Em Montenegro, na Estação da Cultura.

E com uma turma recorde de 40 alunos!

Todos amigos, parceiros, apaixonados. Uma oficina literária, num sábado à tarde, reunir 40 pessoas é um feito. E tem gente renomada, premiadíssima e traduzida em várias línguas no exterior, como a escritora Carina Luft - que, aliás, vai me passar o patronato da Feira de Montenegro em maio, na praça - e iniciantes ainda adolescentes, loucos para embarcarem na aventura de escrever, criar, contar belas histórias.

Sim. Depois de uma noite de trabalho atrás de bandidos, isto me fará bem feliz!